O desemprego real e a incapacidade notória em adotar políticas de incentivo à geração de emprego são uma deficiência administrativa que a gestão reluta em assumir.
Não foi só durante a entrega da premiação do São João de Jequié numa emissora de televisão que o prefeito Zé Cocá se envaideceu ao propagar que a festa junina gerou 3.250 empregos diretos e indiretos. Várias inserções de vídeos gravados foram divulgadas, exaltando as maravilhas dos empregos gerados.
Em meio a essa festa pálida e irreal, teve secretário que foi às redes sociais falar que a festa estava gerando circulação de mais de R$ 220 milhões, enquanto a propaganda da prefeitura falou em R$ 337,5 milhões, sem apresentar a devida e oficial fonte de pesquisa que aferiram esses resultados.
Como consta no card da propaganda distribuída em massa, são números que impressionam não pela sua realidade, mas, impressionam pelo chutômetro, pelo palpite ensaiado e produzido para justificar um gasto exorbitante que deve passar de R$ 15 milhões em uma festa popular que concentra toda verba anual da cultura local, sendo que mais de 85% (R$ 12.750.000) vão para fora da cidade.
DADOS OFICIAIS - GOVERNO FEDERAL
No último relatório do CAGED, referente ao mês de junho, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou a evolução da geração de empregos em Jequié como sendo apenas 20 vagas criadas durante o mês de junho, mês de realização da festa de São João de Jequié.
O comércio, setor que a prefeitura disse ter aumentado em 65% o faturamento e 85% as vendas, não gerou nenhum emprego com carteira assinada; pelo contrário, demitiu 16 trabalhadores.
Os setores que geraram novos postos de trabalho com carteira assinada foram o da construção civil, com 16 vagas, indústria com 12, serviços com 5 e agropecuária, que gerou 3 empregos, conforme relatório abaixo, do Governo Federal.
VIOLÊNCIA SOLIDIFICADA
Ainda não dá para afirmar, cientificamente, que a falta de emprego em Jequié e a incapacidade da gestão em fomentar a geração podem se relacionar com a crescente onda assustadora da violência urbana em Jequié. Até o presente momento, a cidade já registrou 65 homicídios dolosos, com grande possibilidade de manter o título de cidade mais violenta da Bahia e a segunda do Brasil.
PARAÍSO DA ARRECADAÇÃO
Se os paraísos fiscais atraem investidores que buscam burlar a fiscalização para evitar impostos, em Jequié a situação é inversa. Investidores vêm à cidade como a de maior carga tributária do estado, o que faz com que os investidores avaliem diversos cenários, a começar pela falta na oferta de mão de obra qualificada, a oneração da folha até a incidência dos impostos e taxas municipais que podem inviabilizar a vinda de novos negócios para Jequié, necessários para o aumento na oferta da geração de empregos.