Dezembro chega trazendo o Natal, as férias escolares, planos simples, viagens modestas com os filhos. Janeiro, por sua vez, não perdoa: matrículas, livros, fardamentos, material escolar. É o período em que o orçamento das famílias já fragilizado pelo fim de ano sofre o impacto imediato do começo do ano letivo.
Foi exatamente nesse contexto — duro, previsível e conhecido por qualquer gestor minimamente sensível à realidade social — que mais de 140 trabalhadores e trabalhadoras foram demitidos, exonerados, jogados no desemprego em Jequié. Uma única canetada do prefeito Zé Cocá (PP) foi suficiente para desestruturar lares, interromper planejamentos e lançar mães e pais de família em uma incerteza brutal.
As demissões não tiveram relação com desempenho, seriedade ou compromisso com o serviço público. Os relatos são claros: os profissionais exerciam suas funções com responsabilidade e dedicação. Ainda assim, foram desligados sem aviso prévio, de forma surpreendente, sem qualquer consideração humana ou social.
A decisão gera uma pergunta que vai além da indignação individual: como ficam os serviços básicos à população com a retirada abrupta desses trabalhadores de setores essenciais? Quem assume as funções? Quem responde pela sobrecarga dos que ficam? Ou, mais grave, pelo vazio deixado nos atendimentos à população?
Os números do mercado de trabalho em Jequié ajudam a dimensionar a crueldade da medida. Em janeiro, o município gerou apenas 60 novos postos de trabalho com carteira assinada. Em uma cidade com cerca de 169 mil habitantes, apenas 25.163 pessoas estão formalmente empregadas, menos de 15% da população. O desemprego não é estatística fria — é rotina, é angústia diária, é necessidade batendo à porta.
Em um cenário assim, a política deixa de ser instrumento de transformação e passa a ser, para muitos, mecanismo de sobrevivência. Aceita‑se qualquer vaga, qualquer condição, qualquer ordem. Não por convicção, mas por necessidade.
Jequié vive o paradoxo de uma gestão que se vende como eficiente, enquanto produz insegurança social, fragiliza famílias e trata o trabalhador como número descartável. Não se governa uma cidade ignorando o impacto humano das decisões administrativas.
Mais de 140 demissões não são um ajuste. São um recado. E o recado foi dado no pior momento possível. Pobre Jequié.
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