Se bem que Zé Cocá tem razão. Para quem olha para o futuro como uma escalada política sem limites e a todo custo, qual a razão para se investir tanto num Teatro Municipal que jamais reunirá “500 mil” pessoas em 4 dias?
Provavelmente esse seja o ponto de vista interpretado por aqueles que precisam unicamente de votos para se manter no poder e na fama. E votos de artistas são complexos, inseguros e extremamente mutáveis, ainda mais incertos se analisados pelo comportamento crítico e radical que eles adotam com a classe política, amparados pelos resquícios das memórias estigmatizadas.
Diante desse paradoxo sócio-político que desafia a lógica e a intuição comum, corre pelos dedos e pelas mãos dos artistas, a essência da arte que aos poucos vai ficando num passado de glórias e aplausos, de risos e abraços acalorados, em meio aos espetáculos, as cores, o bordado, o artesanato, as danças, os sons, tudo transformado no mais alto e absoluto silêncio, cumplicidade e vergonha de quem vive da arte, mas não se levanta.
Nesse mês de dezembro completam-se 5 anos da morte do Teatro Municipal de Jequié, sepultado numa das mais frenéticas avenidas de Jequié, sob os olhares vazios das autoridades, despidos de justiça, coroados pelo esplendor da apatia, da estagnação, da ausência de iniciativa.
Pobre Teatro. Pobre cultura. Reduzidos à poeira de uma obra que envergonha a alma e a arte.