Em Jequié, a visita do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), transformou-se em um ato de desabafo e decepção política ao se referir ao prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP).
Rebuscando a memória, Rui repudiou a qualificação feita ao presidente Lula por Zé Cocá, que afirmou seu desejo em mudança. “Eu lhe ajudo por 10 vezes, depois você sai falando mau de mim. Qual o nome disso? Ingratidão”. “Em não quero falar do prefeito não. Eu quero falar de coisas boas”, disse Rui em dois momentos da visita, se referindo ao prefeito de Jequié, Zé Cocá.
A definição de ingratidão não veio por acaso. Zé Cocá, atolado em dificuldades financeiras para concluir projetos como a reforma do CEAVIG, buscou proximidade com o governador Jerônimo Rodrigues apenas para garantir mais obras. Fingiu alinhamento com o governo estadual, mas, quando lhe pareceu conveniente, virou a casaca: decidiu se aproximar de ACM Neto, adversário histórico do PT, tentando cavar espaço como vice na chapa oposicionista.
Para Rui Costa, a manobra não é apenas oportunismo — é traição. E, como ele mesmo frisou, só aceita ser traído uma vez. A narrativa expõe o jogo duplo de Zé Cocá: de aliado interessado a desertor político. No vocabulário ácido da política, “ingrato” é aquele que se beneficia e cospe no prato (como se referiu o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues à Zé Cocá tempos passados; “traidor” é quem abandona o barco depois de sugar seus recursos.
Em tempos de alianças frágeis e conveniências imediatistas, Jequié virou palco de um embate que revela a essência da política partidária: fidelidade é moeda rara, e quem a troca por ambição corre o risco de ser lembrado não como líder, mas como exemplo de ingratidão e traição.
FONTE/CRÉDITOS: TV Jequié