Quem mais depende do transporte coletivo é a classe trabalhadora e estudantil. A indústria, comércio, serviços, universidades e escolas dependem diretamente do sistema, que ao entrar em colapso, geram prejuízos em vários setores.
Como não é muito comum que uma prefeitura assuma o transporte coletivo da cidade, a gestão Zé Cocá (PP), terá pela frente o desafio em tornar economicamente viável para os bolsos dos cidadãos jequieenses, o transporte coletivo da cidade.
Assumido após intervenção sugerida pela Superintendência Municipal de Trânsito, que apontou, um ano depois, as falhas operacionais provocadas pela empresa COOBMA, que detinha a licença do município para executar o transporte urbano de passageiros, agora está sobre a responsabilidade da prefeitura de Jequié em fazer funcionar com eficácia e eficiência, o sistema de transporte urbano municipal de passageiros.
ESTUDOS PRELIMINARES
A Sumtran ainda não apresentou à sociedade jequieense, o estudo de viabilidade econômica do sistema e o impacto financeiro para a prefeitura. Certamente, nesses estudos, contará com a obrigatoriedade da Sumtran em monitorar e divulgar trimestralmente o custo operacional do serviço, comparando-o com as receitas geradas e apresentando em relatório se há déficit ou superávit na operação do sistema.
À Sumtran caberá também a incumbência de definir a rede de transporte, o quadro de horários, as viagens realizadas, os trajetos das linhas de ônibus, a frota necessária e a frota reserva, com o objetivo de melhorar a qualidade do serviço, além de ajustar os parâmetros operacionais periodicamente, considerando a criação, extinção ou fusão de linhas, e a modificação de itinerários e horários. Essas alterações deverão ser baseadas nos dados do sistema de bilhetagem eletrônica e nas reclamações dos usuários, recebidas por meio dos canais de atendimento físico e telefônico, além do WhatsApp.
INVESTIMENTOS
Todos os gastos previstos para reestruturação do transporte coletivo municipal, a exemplo da compra de ônibus usados e novos, da sede de operações, da contratação de motoristas, cobradores, mecânicos, eletricistas, ajudantes de mecânica, vigilantes, porteiros e pessoal do setor administrativo, além da aquisição de peças de reposição, compra de combustível e sistema de bilhetagem, deverão ser pagos exclusivamente com as receitas provenientes da venda de passagem aos usuários, nada diferente da iniciativa privada. Caso o sistema se apresente deficitário, a conta será paga através dos recursos públicos.
ÔNIBUS USADOS E ÔNIBUS NOVOS
Hoje pela manhã, a representante da Superintendência Municipal de Trânsito, concedeu entrevista ao jornalista Edher Ramos, da emissora de rádio Cidade Sol FM, durante a transmissão do programa jornalístico diário da emissora, intitulado Conexão. Entre outros temas discutidos, a representante da Sumtran informou aos ouvintes que o órgão de trânsito já licitou, contratou e estar a chegar em Jequié, ainda este mês, 6 ônibus usados, vendidos por uma empresa de transporte coletivo de Minas Gerais, que atenderão a demanda emergencial do sistema. Acrescentou ainda que a prefeitura está programando a compra de 10 ônibus novos a ser incorporado a frota municipal e que deverão ser disponibilizados à população, até o primeiro trimestre de 2026.
CONCORRÊNCIA
O maior desafio para a prefeitura será devolver e manter a cultura dos passageiros em potencial, em utilizar com mais frequência a sistema coletivo, que ao longo dos anos se transformou num bolsão de reclamações, decepções e problemas nunca resolvidos.
Além desse desafio, o transporte alternativo de passageiros por meio de mototáxis e veículos de aplicativos representa uma ameaça ao sistema. Evidentemente que a medida em que o sistema público coletivo funcione regularmente, representando forte concorrência ao transporte alternativos, novas estratégias de atração de passageiros serão postas em prática pelo setor alternativo.