Os problemas enfrentados pela população de Jequié em períodos de chuvas são históricos.
Passou do momento de pensar juntos, poderes públicos e a sociedade jequieense, na construção de um projeto com robustez e com horizonte sustentável, em consonância com o respeito e cumprimento do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano que possa garantir a prevenção dos alagamentos em pontos críticos de escoação pluvial, deveria ser elaborado, aprovado pela Câmara e ser transformado em lei municipal, a ser cumprida fielmente pelo gestor atual e os próximos.
Enquanto isso não acontece, o município amarga a problemática urbana ao ver a população pagando alto preço por falta de planejamento e vontade política. Afinal, a resistência dos gestores em aplicar recursos que ficarão submersos no solo, invisíveis para os eleitores, é grande e reconhecida como sem resultado eleitoral.
As chuvas que caíram em Jequié nos últimos dias levantam um questionamento plausível que deve permear todo o tecido social e externar sua vontade soberana, diante do desejo da população: qual deve ser a prioridade para a gestão municipal? A realização da Festa de São João com custo de quase R$ 15 milhões para a população? Ou seria a aplicação imediata de recursos na construção de um Sistema Eficiente de Drenagem para fazer escoar para os rios as águas das chuvas que tanto danos trazem à população?
Certamente, independentemente da opinião formada, a sensatez indica para o equilíbrio da situação. Poderia ser feita uma festa de São João, que é muito importante para a economia e a cultura da cidade, entretanto menos dispendiosa para o município, dentro das suas possibilidades financeiras, respeitando os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, e do tamanho que a cidade é, sem querer concorrer com ninguém, afinal a festa é do povo e paga pelo povo de Jequié.
Com essa decisão assertiva e prudente, seria possível dar os primeiros passos em direção a um projeto concreto de combate às inundações em Jequié, já iniciando as primeiras obras emergenciais financiadas com o dinheiro público economizado da festa de São João. Mas, opinião é como mão. Cada um tem as suas.