A festa de São João é muito importante no aspecto da conservação da cultura popular, por aqueles que respiram arte e cultura, para aqueles que gostam do período junino e reconhecem as tradições de uma gente. O evento movimenta a economia, gera ocupação temporária, contribui na arrecadação de impostos e eleva o consumo de bens e produtos.
Para os políticos marketeiros, oportunistas e aproveitadores é uma excelente vitrine política para se projetar na carreira pública. Eles se aproveitam do ensejo para expor as obras públicas do município, pagas com o dinheiro da população, como se fossem suas, pagas do seu bolso.
Mas não existe show bom sem público. Por isso que muitos prefeitos contratam atrações caríssimas, fora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, a exemplo da cidade de Jaborandi, onde Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) determinou que a Prefeitura suspendesse a contratação dos shows de Léo Santana e Saia Rodada para a 25ª Festa de Santo Antônio, que será realizada em junho deste ano no município.
De acordo com o TCM, a contratação dos dois artistas totalizou R$ 730 mil, sendo R$ 350 mil para Léo Santana e R$ 380 mil para Saia Rodada. A cidade de 8.176 habitantes, conforme o Tribunal, tem receita mensal de aproximadamente R$ 5,3 milhões de reais.
É histórico e conclusivo que todos os municípios brasileiros possuem déficit em várias áreas, com gravidade acentuada no setor da saúde, segurança, infraestrutura e educação. Saber equilibrar as contas públicas e emanar esforços para buscar sanar as gravidades do município, é desempenhar com claro entendimento da função que ocupa temporariamente.
Ouve-se dos políticos que o Tribunal de Contas dos Municípios é um velho carrasco dos prefeitos. Esse mito criado por aqueles que são pautas das reuniões e julgamentos realizados pelo Tribunal, é uma tentativa de vitimização em prol da recuperação da imagem pública, manchada pela malversação do dinheiro público.
Os Tribunais e o Ministério Público podem e devem frear esses gastos desenfreados, excessivos, desproporcional, em prol da propaganda política antecipada, onde a cada show, a cada dia, a abertura fica por conta do político da casa e seus convidados, frente ao mar de gente que aplaude o esvaziamento dos cofres públicos em troca de algumas horas de entretenimento.