Na engrenagem da política, o vice não é um detalhe decorativo. É, na prática, o fiel da balança entre estabilidade e caos. Quem assume essa posição precisa entender que não se trata de ocupar uma sombra confortável, mas de carregar responsabilidades que podem definir o sucesso ou o fracasso de um governo.
Um vice que não respeita hierarquia, que se deixa levar por ambição desmedida ou que cultiva historicamente a infidelidade política, transforma-se rapidamente em um problema maior do que qualquer adversário externo. O grupo não precisa de um “abelhudo” ou de um “ardiloso” que mina a confiança interna; precisa de alguém capaz de somar forças e sustentar o projeto coletivo.
A credibilidade é outro ponto inegociável. Passado limpo não é luxo, é requisito. Um vice marcado por escândalos de desvio de dinheiro público ou ranhuras administrativas por onde passou compromete não apenas sua imagem, mas a da chapa inteira. Eleitores não toleram figuras que carregam mais dúvidas do que soluções. O país está dizendo não aqueles com passado maculado.
No campo eleitoral, o vice deve trazer consigo representatividade real. Não basta ser conhecido; é preciso ter capital político e popular de peso, capaz de ampliar o alcance da candidatura. Sem isso, vira apenas um nome na cédula, sem impacto na vitória.
Quanto ao marketing, não vale o construído pelos candidatos. Vale o que será posto em prática durante a campanha eleitoral, de forma inteligente, com olhar verdadeiro sobre todos os cenários, planejamento estratégico equilibrado e comunicação eficaz e prudência nas propostas sólidas, além de monitoramento constante e uso estratégico de redes sociais.
Marketing não é maquiagem, é leitura crítica de cenário e capacidade de transformar discurso em confiança.
Em resumo, o vice ideal é aquele que soma sem disputar protagonismo, que articula sem desestabilizar e que representa sem comprometer. Quando tem capital político e pessoal, fortalece a campanha e garante estabilidade na gestão. Quando não, é risco certo — e risco, em política, costuma custar caro.