Enquanto o município de Jequié tem orçamento anual incomparável em relação a vizinha cidade de Jitaúna, algumas ações administrativas básicas não dependem do tamanho da receita municipal, quando o quesito é cuidar da qualidade de vida dos mais necessitados, dos mais carentes.
Enquanto a gestão municipal de Jitaúna não esquece da população carente, que em períodos de estiagem é prontamente atendida pela secretaria de serviços públicos, em Jequié, a situação é completamente diferente. Um simples abastecimento de água para uma comunidade carente virou caso de Justiça.

Veículo adaptado da Prefeitura de Jitaúna, usado para abastecer as comunidades sem água
(Foto: Zenilton Meira)
O CASO MORRO DO MACACO
Essa semana, uma moradora do Morro do Macaco, que fica no bairro Mandacaru, em Jequié, precisou recorrer ao Ministério Público da Bahia e a Defensoria Pública do Estado para tentar garantir o abastecimento regular de água potável para sua comunidade. Somente depois dessa atitude, a prefeitura de Jequié emitiu um ticket de abastecimento para carro-pipa, e mesmo assim foi preciso a intervenção de pessoas sensibilizadas com a situação dos moradores, custeando do seu bolso, o frete do veículo para levar a água até os moradores do Morro do Macaco.
SURGIMENTO DA COMUNIDADE
O Morro do Macaco é uma localidade que surgiu de forma desordenada graças a falta de atuação da prefeitura de Jequié, que possui o Plano Diretor Municipal já vencido. A comunidade foi se formando sem os itens básicos de moradia, como abastecimento de água potável, rede de esgoto, iluminação pública, coleta de lixo e pavimentação, e hoje, a comunidade possui aproximadamente 50 famílias residentes ainda sem os itens básicos.
As reclamações dos moradores vão desde a falta de transporte coletivo, passando pela falta de uma unidade de saúde, escola, assistência social e a mais grave; abastecimento de água.
TRIBUNAL DAS REDES SOCIAIS
Depois de abastecida parcialmente a comunidade com apenas 1 carro-pipa de água potável, entrou em campo o Tribunal das Redes Sociais, formado por pessoas designadas a fazer a defesa pública da gestão a qualquer custo, usando de intimidação pessoal, julgamento próprio e ameaças diretas. Segundo Priscila, pessoas que fazem parte direta e indiretamente da gestão municipal, passaram a ligar para a ela, na tentativa de jogá-la contra a sua comunidade, dizendo que o pedido por abastecimento de água foi mais um ato político partidário do que uma real necessidade da comunidade. Lamentável essas ações sorrateiras de quem se nutre do dinheiro público para promover intrigas e confusões nas comunidades.

INTIMIDAÇÕES A QUEM FEZ O CLAMOR PELO ABSTECIMENTO
Àudio postado pela moradora que gravou vídeos solicitando água para sua comunidade
A moradora do Morro dos Macacos, Priscila Pereira Bastos, há anos sempre fez pedidos de abastecimento de água para sua comunidade desde as gestões passadas. O problema do abastecimento vem sendo empurrado com a barriga entre a prefeitura de Jequié e a Coelba que se defende afirmando que não pode passar o posteamento com a rede elétrica, pois na localidade não existe demarcações de ruas, sendo impossível adivinhar onde são os passeios das casas onde fixarão o posteamento. Enquanto a Embasa diz que não há problemas para levar água encanada para os moradores, desde que a Coelba forneça energia elétrica para alimentar as bombas de impulsionamento.
Sem culpa alguma nesse impasse, todos os meses, moradores do Morro do Macaco são obrigados a se manifestar nas redes sociais, gravando vídeos de apelos para o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), para que os reservatórios das casas sejam abastecidos pela prefeitura.
COMO RESOLVER O IMPASSE?
Já que não existe vontade política para resolver a situação dos moradores do Morro do Macaco, somente a intervenção da Justiça, através da Promotoria de Justiça de Jequié e a Defensoria Pública do Estado para fazer a devida e necessária justiça social, obrigando a prefeitura de Jequié a pavimentar e ordenar as ruas da comunidade para que a Coelba e a Embasa façam seu trabalho com brevidade, proporcionando assim, dignidade e respeito aos moradores do Morro do Macaco.