A violência em Jequié já jogou o município à lona e não existe ainda expectativa de que ele se levante nesse ringue cruel e possa voltar à luta contra a criminalidade.
O que se vê na mídia institucional da prefeitura mais parece um pano de fundo para esconder a dura realidade que assola, principalmente os jovens negros de periferia, marginalizados das políticas públicas inclusivas e horizontalizadas.
É comum receber postagens impulsionadas nas redes sociais em que o prefeito Zé Cocá se apresenta como único protagonista de obras públicas, propagando pavimentação e construção de pracinhas, em detrimento de ações urgentes de combate à violência urbana.
Há quem diga, como legítima defesa presumida, que a criminalidade é de responsabilidade única do Estado e que cabe a ele as ações de combate à escalada da violência, como se o município fosse um objeto à margem do organismo do Estado, nesse contexto, mas não no contexto financeiro, principalmente, em que tudo depende do Estado, inclusive a sua sobrevivência.
A viagem à Itália bem que poderia ser trocada por um Fórum Regional de Combate à Violência com a presença da sociedade jequieense, dos vereadores, promotores, juízes e forças de segurança do Estado.
Não é normal que a cidade assista a tudo de braços cruzados. É preciso que o tema seja socializado exaustivamente com todo o tecido social. Empurrar o extermínio de jovens para os braços do Estado é, no mínimo, uma covardia, uma ação imprudente de esconder as obrigações que todo município deve encarar.
COMO A PREFEITURA PODE AJUDAR?
Inicialmente, é preciso entender que não se trata apenas de disputas entre facções do crime. É necessário compreender que são vidas ceifadas, jovens mortos, famílias enlutadas, futuros interrompidos, tristezas sem limites e dor sem cura.
A prefeitura precisa ser a protagonista nas ações de planejamento urbano, de forma ampliada e participativa. Para isso, faz-se necessário o melhoramento da iluminação pública, do monitoramento eficiente com câmeras de segurança em espaços públicos, com o objetivo de inibir atividades criminosas.
A Guarda Municipal precisa ser mais valorizada, com investimento em tecnologia, treinamento e uso de equipamentos como câmeras corporais e drones. Isso permite, além do zelo e manutenção do patrimônio público, atuar no policiamento, na fiscalização de condutas lesivas e em prisões em flagrante, em cooperação com as polícias estadual e federal.
Na área social, a prefeitura poderia criar e apoiar programas voltados para a redução da miséria e o atendimento a vítimas de violência, como mulheres e crianças, por meio de assistência e apoio psicológico.
As pracinhas não podem ser apenas espaços públicos construídos com viés político. Torna-se urgente que esses espaços passem a contar com projetos socioeducativos e de lazer, que tornem as ruas e praças mais atrativas, vivas e movimentadas, atividades que inibem a ação criminal e reforçam a segurança.
Nas escolas municipais, a implantação de programas de prevenção à violência, associada ao incentivo para que as famílias estejam mais presentes e participativas nas atividades desenvolvidas nas escolas, dialogando, buscando soluções em conjunto, avaliando as ocorrências, certamente construiria um cenário bem distante da realidade.
A prefeitura poderia fortalecer ainda mais a promoção e a articulação com os governos estadual e federal para compartilhar informações e coordenar ações de combate ao crime. Além disso, poderia apoiar e cobrar das secretarias envolvidas a implementação de políticas públicas que promovam a igualdade de gênero e protejam as vítimas de violência.
Por fim, o mais elementar de todas as saídas possíveis no combate à violência, cabe ao prefeito Zé Cocá apresentar aos poderes instituídos e à comunidade um plano de desenvolvimento para o município. Isso inclui a melhoria da mão de obra local, por meio de ampla capacitação de jovens. Além disso, deve buscar atrair e/ou fomentar a criação de novas empresas, além da implantação de programas de incentivos fiscais para empresas de outros estados, a fim de que todas elas gerem emprego e renda para os jequieenses.