Durante uma transmissão ao vivo no Instagram, realizada por uma das chapas que concorrem à Reitoria da UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia –, um comentário enviado em tempo real por um(a) internauta chamou atenção pela violência simbólica e pelo teor discriminatório. A mensagem dirigida à chapa 2 dizia: “o que mata a chapa 2 é essa mulher de circo aí”.
A reação imediata dos participantes foi de indignação, e não poderia ser diferente. Trata-se de uma manifestação racista, difamatória e ofensiva, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e fere frontalmente princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e a igualdade. Em um espaço democrático destinado ao debate de propostas acadêmicas e administrativas, a presença de um ataque dessa natureza expõe, de forma cruel, como o racismo estrutural ainda se infiltra nos ambientes institucionais e tenta silenciar vozes que ousam ocupar lugares historicamente negados.
Não se trata de uma “opinião infeliz”, mas de um ato que reforça estigmas e perpetua exclusões. O episódio evidencia a urgência de políticas institucionais mais firmes contra práticas discriminatórias, bem como a necessidade de responsabilização jurídica de condutas que atentam contra direitos fundamentais. Afinal, democracia não se constrói com ofensas raciais travestidas de comentários banais, mas com respeito, pluralidade e justiça.