A cidade de Jequié-BA, revela um cenário de alta dependência econômica das transferências de recursos advindas do governo federal, conforme análise de dados sobre repasses ao município e seus cidadãos. A prefeitura e a população contam com um fluxo financeiro significativo que em 2025 deverá bater o Record de R$ 1,38 bilhões, embora impulsione programas sociais e serviços essenciais, levanta questões sobre a falta de autonomia econômica da cidade, e, a necessidade de fortalecer as fontes de renda local, as quais deixam como legado alto grau de dependência e baixo grau de desenvolvimento sustentável.

Entre janeiro e julho de 2025, a prefeitura de Jequié já recebeu, somente nesses sete meses, o montante acumulado de R$ 233,26 milhões em transferências do governo federal. No total das Transferências, o percentual em relação às receitas correntes brutas da prefeitura, realizadas em 2024, atingiram a importância de
78,88 %. O que indica um alto grau de dependência do governo federal e não, do estadual, como muitos políticos tentar lacrar.
Paralelamente, já em 2025, os programas de assistência social injetaram uma quantia substancial diretamente nas mãos dos cidadãos. O Bolsa Família, por exemplo, transferiu R$ 98,13 milhões no mesmo período. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) repassou R$ 114,35 milhões até junho de 2025, enquanto os Benefícios Previdenciários do INSS alcançaram R$ 230,05 milhões até maio de 2025.
Juntos, esses programas representam um alicerce financeiro sobre uma base de areia movediça, para uma parcela significativa da população. Em julho de 2025, o Bolsa Família beneficiou 20,48 mil, (28% das famílias na cidade), e em junho, o BPC assistiu 12,73 mil pessoas. Esses números demonstram a capilaridade da assistência, mas também a fragilidade de uma economia que depende majoritariamente de recursos externos.
VEJA ABAIXO O VOLUME DE REPASSES DIRETOS À POPULAÇÃO E AO MUNICÍPIO

FRAGILIDADE DO EMPREGO E RENDA LOCAL
Apesar das transferências, o cenário de emprego formal em Jequié indica desafios, no quesito prosperidade consequente. Entre janeiro e junho de 2025, a cidade gerou apenas 396 novos empregos de carteira assinada, um número que contrasta com a população estimada de 168.733 habitantes. Desde 2023, foram criados 1,75 mil novos empregos, elevando o total para 24,55 mil empregos formais em junho de 2025. O setor do agronegócio, por sua vez, registrou 31 contratos, com um crédito de R$ 8,72 milhões, enquanto a agricultura familiar, através do PRONAF, celebrou 449 contratos, totalizando R$ 3,46 milhões em crédito.
Segundo o IBGE, Jequié encontra-se num quadro geral do emprego e da renda, onde é possível extrair os seguintes dados:
- O salário médio mensal pagos os trabalhadores formais em 2022 foi de 1,7 salário mínimo.
- Em 2022, a cidade tinha 31.319 pessoas empregadas em postos de trabalho formais.
- Nos últimos anos, 43% da população tinha um rendimento nominal mensal Per Capita de até meio salário mínimo.
- O PIB Per Capto em 2021 foi de apenas de R$ 20.325,74. No ranking nacional, já havia no país, 3112 município com renda Per Capta, superior à de Jequié.

A alta dependência de transferências federais, como o Bolsa Família e os benefícios previdenciários, pode ser um reflexo da baixa geração de emprego formal. A quantidade de empregos, apesar de um leve crescimento, parece insuficiente para absorver a força de trabalho e reduzir a dependência das transferências sociais. A situação ressalta a importância de se buscar o fortalecimento da economia local, incentivando setores produtivos e a criação de postos de trabalho que possam proporcionar maior autonomia financeira para a população e a gestão municipal.

Sem emprego e renda, e a cidade continuando a inchar a zona urbana de forma desordenada, é de se esperar um consequente aumento da violência e do domínio das drogas... ao passo que a cidade tem investido pesadamente em festas populares de São João e Dia do Evangélico, como forma de promoção, não do emprego e da renda, mas talvez de outrem.