Com o objetivo de reconhecer as religiões de matrizes africanas, que são constantemente alvo de intolerância por parte dos que não conhecem a religião, o Presidente Lula (PT) sancionou o Dia Nacional de tradições de raízes de matrizes africanas e nações do candomblé.
A data já era celebrada no município de Jequié, por meio de seminários organizados pelo Órgão de Educação e Relações Étnicas – ODEERE, vinculado a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.
Ana Marta Palmito, assistente Social, uma das organizadoras do evento, conta que este movimento acontece desde o ano de 2021 no município de Jequié.
“Em 2021, nós fizemos o I Seminário de Saberes e Fazeres de Terreiros, por conta das chuvas que atingiram a cidade não foi possível realizar o evento em 2022. Neste ano, já estávamos organizando o seminário. Quando o Presidente Lula sancionou a data 21 de março como o Dia Nacional de tradições de raízes de matrizes africanas e nações do candomblé, nós decidimos, junto com a Secretaria de Cultura e Secretaria de Educação, realizar o seminário nesta data que foi decidida pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente. Convidamos os terreiros da cidade e estes organizaram toda a programação.” Finaliza Ana Marta.
Josué Leite, Diretor do Departamento Pedagógico da Secretaria de Educação de Jequié, disse que este é um trabalho de políticas intersetorialidades, unindo os diversos segmentos públicos e movimento sociais na promoção das diversidades e no enfrentamento ao racismo e todas as formas de preconceito.
Baba Arthur de Logun Odé, Babalorixá do Ilê Alaketu Axé Odé Logun Ajàgbulà, uma das lideranças das religiões de matriz africana do município, falou que o dia 21 de março é um dia marcante, em que toda a comunidade candomblecista está nas ruas, louvando o sagrado.
“Um dia em homenagem aos nossos ancestrais, que lutaram para que pudéssemos continuar levando a cultura orixá a frente, um dia de militância, de luta, pois nós que somos de candomblé, passamos por vários momentos de preconceito e processos, então hoje é um dia de vitória, pois estamos mostrando para a cidade e para o mundo, que somos pessoas de bem, de boa índole e de orixá e de fé, que é o mais importante.” finaliza Baba Arthur
Luzineide Silva, Professora e adepta ao candomblé falou sobre o sentimento de poder ver a sua fé sendo reconhecida e respeitada pelos poderes públicos.
“Para nós de religião de matrizes africanas, um evento como este, com esta grandiosidade, é uma vitória, uma conquista. Este é o segundo seminário de Saberes e fazeres de terreiro, com um movimento maior e com a nossa presença, botando(sic) a cara, nos mostrando, dizendo: Estamos aqui, nos respeitem. Está sendo muito gratificante e representa a quebra de paradigmas e preconceitos que nós sofremos há muitos anos e esse é o pontapé inicial para pôr fim a intolerância religiosa que sofremos.” Finaliza Luzineide
O II Seminário Saberes Culturais dos Terreiros, acontece entre os dias 21 a 23 de março na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro.