Enfraquecer, obscurecer, a narrativa secular que faz das festas juninas umas das mais belas do Nordeste brasileiro é um constante e cruel plano da indústria do entretenimento.
Mas não estão sozinhos. De mãos dadas, gestores politiqueiros sem compromisso em salvaguardar e reforçar a construção de identidade e memória da sua gente; Câmaras de Dirigentes Lojistas de olho na grana. Arrisco a expor que a manutenção das festas no seu aspecto tradicional está para nossa identidade nordestinada, assim como as medidas de proteção ao meio-ambiente. A metáfora: a Queda do Céu, do Xamã Yanomami Davi Kopenawa, que tem seu território invadido por garimpeiros e abridores de cancelas, cola como uma luva, a mesma que deveria conter as unhas afiadas dessa gente estúpida, covarde e perversa.
Em nome do contemporâneo e da inconsequência deixam pelo meio do caminho, iniciativas como: manter a Vila Junina tal qual a "Casa de Reboco" gonzaguiana, com o espírito junino, som com repertório civilizado e comidas típicas genuínas. Eleger um tema trabalhado nas escolas que mostre às novas gerações, o gosto e o respeito, pelo contexto das festas, levar a escola para a Vila (não fazendo concursos estereotipados de “Miss Caipira” com estereótipo para quem você tira o chapéu, manter o percentual da Praça da Bandeira com o percentual de 70% de forrozeiros tradicionais.
Santo Antônio do Pão dos Pobres, São João Xangô Menino da Diversidade e São Pedro, protetor das viúvas e viúvos da Cultura, quem sabe um dia faremos a requalificação da festa. O povo sabe o que quer, mas, também quer o que não sabe, como teria dito Gilberto Gil, eu acho.
Por Benedito Freire Sena
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