O Anuário 2024 da Violência no Brasil classificou Jequié como a cidade mais violenta do país. Apesar disso, em 2025, o então prefeito Zé Cocá declarou em entrevista ao radialista Mário Kertész que o município era “tranquilo”, afirmando que poderia andar por qualquer bairro às 11h da noite sem sofrer violência.
Hoje, já na condição de candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá mudou o tom. Após ouvir o depoimento de um aluno da rede municipal em vídeo gravado ao lado de seu sobrinho — atual prefeito de Jequié — passou a condenar a violência e responsabilizar o governo estadual pela crise da segurança.
Entretanto, os fatos locais revelam outra realidade. Em março deste ano, a Guarda Civil Municipal de Jequié realizou manifestação na Câmara de Vereadores denunciando problemas estruturais: falta de EPIs, ausência de treinamento essencial, viaturas paradas por carência de efetivo e um Plano de Cargos e Carreira (PCCR) engavetado há meses.
Durante sua gestão, Zé Cocá não implantou programas consistentes de políticas públicas de combate à violência urbana. A ausência de medidas estruturais deixou a cidade vulnerável, enquanto os índices de criminalidade cresciam. Agora, em plena campanha eleitoral, o ex-prefeito transfere a responsabilidade exclusivamente ao governo estadual, sem reconhecer a falta de iniciativas locais durante seu mandato.
O caso de Jequié evidencia a necessidade de políticas integradas e contínuas, que envolvam tanto o município quanto o estado. A violência não se combate apenas com discursos, mas com planejamento, investimento e compromisso real com a segurança da população.
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