Feirantes que aguardaram por mais de 4 anos a construção e entrega do novo pavilhão de frutas e verduras do Centro de Abastecimento de Jequié afirmam que a espera ainda não está valendo a pena.
As dificuldades enfrentadas diante da queda na venda de produtos que se acentua a cada dia se somam ao peso dos compromissos assumidos diante dos débitos anteriores que foram parcelados e se acumulam com a taxa mensal que é paga por cada bancada.
Bancadas reconhecidas como pequenas em relação aos espaços da feira anterior. Os produtos que sobram por não caber na bancada são obrigados a serem armazenados ali mesmo, no chão ou debaixo da bancada, resultando em perdas, já que muitos deles são perecíveis.
Ouvidos, das muitas explicações dadas pelos feirantes, relacionadas à queda nas vendas, a que mais se destaca é a concorrência das redes atacadistas e as cobranças feitas para quem estaciona no CEAVIG, área considerada Zona Azul, explorada comercialmente pela empresa E-Parking, detentora da autorização da prefeitura para exploração comercial dos estacionamentos rotativos.
“No supermercado, tem vaga sobrando para estacionar e não se paga nada. Além das promoções realizadas com produtos que vendemos, os preços estão abaixo do que pagamos por eles. O negócio do supermercado não é vender frutas e verduras. Por isso, eles queimam o preço para atrair o cliente que sempre compra outras mercadorias, compensando o que eles perdem na promoção de frutas e verduras”, disse um comerciante à reportagem.
Um funcionário de um açougue afirmou que a situação é pior ainda para quem está mal localizado. “Minha mulher tem uma banca de verduras. Bateu ontem o dia todo para vender R$ 13. Como pagar o que deve e o que se comprou para vender? Se não vende, apodrece e ainda tem que pagar pelo que comprou. Nunca passamos por uma situação tão difícil assim”, disse o trabalhador.