Eles não usam jaleco branco, não assinam laudos, não aparecem nas propagandas eleitorais ao lado de máquinas hospitalares. Mas sem eles, o SUS não respira.
Os agentes comunitários de saúde são a ponte entre a comunidade e o sistema — ou o que sobrou dele. Entram em casas, escutam histórias, observam feridas, acolhem gritos calados. Levam informações, encaminhamentos, conselhos, mas carregam nas costas muito mais: a dor de quem sofre, o abandono do Estado e a frustração de tentar cuidar sem ter com o que.
Em Jequié, esses profissionais seguem atuando com coragem, mas sem condições. Faltam equipamentos básicos de proteção, apoio psicológico, transporte adequado, reconhecimento institucional. Pior: falta o pagamento do piso salarial estabelecido por lei. Falta respeito.
A gestão municipal fecha os olhos. Os vereadores, que deveriam representar o povo, calam diante do descaso. E a população, desinformada, muitas vezes direciona a raiva aos únicos que permanecem ali — de porta em porta, no sol e na chuva, ouvindo e tentando ajudar.
O agente comunitário não é só um funcionário público. É um elo. É quem segura a barra quando não há médico, quando não há vaga, quando não há política pública. É quem diz “eu volto amanhã”, mesmo sem ter garantia de nada. E volta.
Mas até quando vão aguentar?
Adoecem em silêncio. Carregam a culpa por problemas que não são seus. Se culpam por não conseguir salvar onde o sistema já condenou. E ainda assim continuam — com empatia, com entrega, com humanidade.
Está na hora de virar esse jogo. Está na hora de Jequié olhar para os seus agentes comunitários como o que são: pilares da saúde básica, guardiões da dignidade, heróis anônimos de um Brasil que sobrevive apesar da política.
Respeitar esses profissionais não é caridade — é dever.
Negligenciá-los é, também, uma forma de matar.