Localidades como Berra Bode, Palmeirinha e diversas outras comunidades da zona rural de Jequié seguem convivendo com o abandono das estradas vicinais, uma realidade que se repete ano após ano e que hoje se traduz em indignação crescente por parte de moradores e produtores rurais. As reclamações se acumulam, enquanto a gestão do prefeito Zé Cocá permanece sem apresentar respostas concretas.
A precariedade das vias compromete diretamente o escoamento da produção agrícola familiar, base de subsistência de pequenas propriedades, e, de forma ainda mais grave, impede o acesso regular a serviços essenciais, como saúde e educação. O isolamento não é apenas geográfico — é social e econômico.
Imagens enviadas à reportagem mostram a dimensão do problema. Em alguns trechos, motoristas são obrigados a acorrentar os pneus dos veículos para vencer ladeiras íngremes e estradas escorregadias. O risco de acidentes é constante, sobretudo em áreas com declives acentuados e proximidade de penhascos. Não se trata de exceção pontual, mas de uma rotina perigosa imposta à população rural.
Segundo relatos, a situação se arrasta há mais de cinco anos, atravessando gestões e promessas, sem que intervenções estruturais tenham sido executadas para garantir trafegabilidade mínima e segurança aos usuários das estradas.
O cenário torna‑se ainda mais grave diante de um dado incontornável: em maio de 2024, o Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, destinou R$ 5.743.773,00 ao município de Jequié justamente para enfrentar problemas de mobilidade em estradas rurais.
Na proposta apresentada para acessar os recursos, a própria Prefeitura de Jequié reconheceu a urgência das intervenções, citando a necessidade de manutenção e adequação das vias vicinais, com foco no atendimento a pequenos e médios produtores rurais. O documento destacava, ainda, que as obras estimulariam o aumento da produção, a comercialização agrícola, a melhoria do solo e o fortalecimento de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, irrigação, inovação e cooperativismo.
Passado o tempo, o que se vê no chão batido das estradas é o oposto do que foi prometido no papel.
Diante desse quadro, a pergunta que se impõe é simples e direta: onde estão os resultados dos recursos recebidos? Quais trechos foram efetivamente recuperados? Qual o cronograma de obras? E, sobretudo, quando as comunidades rurais deixarão de ser apenas argumento técnico para captação de verbas e passarão a ser prioridade real na execução das políticas públicas?
A zona rural de Jequié não pede favores. Cobra direito de ir e vir, segurança, dignidade e respeito. E enquanto as respostas não vierem acompanhadas de ações visíveis, o silêncio da gestão seguirá ecoando mais alto do que qualquer discurso oficial.
O TV Jequié continuará acompanhando, fiscalizando e cobrando. Porque estrada abandonada não é apenas descaso — é escolha política.