Depende de Zé
Está nas mãos do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), a decisão de ter ou não a greve municipal dos professores e dos servidores municipais. A categoria dos professores pede a equiparação salarial de 9,75%, diluído em 5 parcelas, para os profissionais do magistério do quadro efetivo, incluindo aposentados e pensionistas. Segundo a APLB, as perdas acumuladas desde o ano de 2019, representam, hoje, 48,62% de prejuízo salarial. Já para o SINSERV- Sindicato dos Servidores Municipais, a proposta é que o município efetive o reajuste de no mínimo 19,5% retroativo ao mês de março deste ano.
Limite Máximo do Fundeb
O prefeito afirmou em entrevista de rádio, em 22/07/2023, que no ano de 2022, a prefeitura deu 41% de aumento para os professores, impactando demais na folha de pagamento, que passou de R$ 4,5 milhões para R$ 8,3 milhões. Nesta entrevista o prefeito ainda afirma que “o direito dos professores acaba quando começa o dele”.
O prefeito segue ainda dizendo que no ano passado, a prefeitura gastou 79% dos recursos dos cofres públicos, somente com educação, e esse ano o percentual já atinge 81% sem aplicar o aumento proposto de 4% para os servidores municipais, incluindo os professores.
Para uns, tudo. Para outros, quase nada
A dificuldade apresentada pelo prefeito de Jequié, Zé Cocá, que terá em 2024 um salário maior que o do atual prefeito da capital do Estado, está muito distante do Projeto de Lei que o prefeito enviou para a câmara e foi aprovado, concedendo aumento nos salários para vereadores, secretários municipais, vice-prefeita e prefeito que somaram, na média, o percentual de 51,62%, sendo 47,62% a mais que o percentual pedido pelos professores municipais e 32,12% a mais em relação a proposta dos servidores municipais.
O que poderá acontecer
Diante desse cenário, será que o prefeito de Jequié, Zé Cocá, cederá aos clamores dos professores e servidores municipais, colocando um ponto final no movimento grevista? Ou Zé Cocá continuará firme em seus argumentos de que é impossível ultrapassar o limite de 4%, diferente de sua benevolência consigo mesmo quando sancionou o reajuste de 57,93% para ele próprio?
Quem perde mais?
Os sindicatos já declararam a greve aprovada pela maioria dos professores e servidores municipais, que começará nessa quinta-feira, 14/09. De um lado, categorias que afirmam não serem valorizadas. Do outro lado, o limite na gestão financeira do erário. E no meio dessa disputa, quase 20 mil alunos e demais setores assistidos por servidores municipais que correm risco de interromper suas atividades, acumulando prejuízos tanto para a educação como para os serviços públicos do município.
Enfim, se o prefeito ao respeitar o direito dos professores e servidores municipais com os aumentos pleiteados, a gestão sairia engrandecida por mostrar habilidade e competência dando prova de sua eficiência com o orçamento público. Caso o prefeito continue insensível em não conceder os aumentos para professores e servidores, perde a APLB e o SINSERV, mesmo diante da educação parada, deixando milhares de alunos fora da sala de aula, além da precariedade inevitável nos serviços públicos.
É esperar para ver o que vai acontecer.