Para falar sobre o transporte coletivo em Jequié, cabe lembrar a canção de Alcione, a “Marrom”, um clássico da MPB que retrata o desgaste de um relacionamento marcado por promessas não cumpridas. O paralelo é inevitável: a população de Jequié também se vê diante de compromissos políticos que não se concretizam.
“Não sei se vou aturar, esses seus abusos, não sei se vou suportar, os seus absurdos...”
Em 2022, o ex-prefeito Zé Cocá recebeu mais de 93% dos votos, um “amor” declarado nas urnas. Mas, como na música, esse amor se desgasta quando as promessas não se transformam em realidade — especialmente no caso do transporte público.
O decreto de emergência
Pressionado pelas reclamações dos usuários, Zé Cocá publicou em 9 de fevereiro de 2025 o Decreto nº 26.191, reconhecendo situação de emergência na prestação do serviço de transporte coletivo. O documento interveio na empresa concessionária COOBMA e transferiu a responsabilidade para a SUMTRAN (Superintendência Municipal de Trânsito).
O decreto apontava falhas graves: suspensão de linhas sem autorização, descumprimento de horários e número insuficiente de ônibus em operação.
Promessas e empréstimos
Após a intervenção, o prefeito gravou vídeos promocionais, passeou de ônibus e prometeu solução definitiva. A Câmara de Vereadores aprovou um empréstimo de R$ 30 milhões junto à Caixa Econômica Federal, além de suplementação de R$ 8 milhões, sob o argumento de modernizar a frota.
Com recursos disponíveis, em abril de 2025 a prefeitura adquiriu seis ônibus usados, ano 2017, por R$ 415 mil cada. No mesmo mês, em 2026, incorporou mais seis veículos ano 2021, comprados por R$ 660 mil cada. A compra gerou debates no Tribunal de Contas dos Municípios sobre licitações emergenciais e aquisições feitas pela SUMTRAN.
Situação atual
Hoje, o sistema volta a enfrentar os mesmos problemas descritos no decreto: linhas descumpridas, horários irregulares e frota insuficiente. A população denuncia ainda a má qualidade do serviço prestado.
Conclusão
Assim como canta Alcione, o transporte público em Jequié virou um “sufoco”. Entre decretos, empréstimos milionários e promessas de modernização, o que permanece é a insatisfação dos usuários e a sensação de que o poder público não conseguiu entregar o básico: um serviço de transporte digno.
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