O Teatro Municipal de Jequié foi palco, por décadas, de toda produção cultural local e absorveu grandes projetos culturais nacional em parceria com produtores de renomes e grandes empresas patrocinadoras, como a Petrobrás, Banco do Brasil e outros.
Foi no palco do Teatro Municipal de Jequié que se apresentaram renomados nomes da cultura nacional como Cauby Peixoto, Riachão e Dona Ivone Lara, Elza Soares, Jorge Vercilo, Lenine, além do Projeto Pixinguinha, entre outros artistas. Foi no Teatro Municipal que aconteceram projetos importantes para o desenvolvimento cultural da cidade, como os Festivais de Músicas dos Trabalhadores, Festivais Estudantis, o Projeto A Escola vai ao Teatro, da prefeitura municipal, entre outros espetáculos e apresentações memoráveis que oportunizaram aos Jequieenses experiências únicas.
A REFORMA DO TEATRO MUNICIPAL
Há pouco meses, a prefeitura de Jequié investiu quase R$ 500.000,00 (Meio Milhão de reais) na reestruturação desse patrimônio público, gastos com R$ 284.795,15, reforma completa do Teatro Municipal, R$ 112.000,00 com Cortinas e Bambolinas, R$ 30.000,00 com Acústica do Teatro e ainda R$ 16.000.00 com Cenotécnica. Pasmem! Não foi inaugurado. Essa reforma feita sem ouvir a opinião da classe artista, de professores e alunos da área da cultura, e muito menos da comunidade Jequié, foi considerada inválida por vícios estruturais, conforme explicação á Câmara de Vereadores de Jequié, em ofício enviado pelo secretário de Cultura e Turismo Jequié, o professor Domingos Ailton.
OUTRA REFORMA, AGORA FARAÔNICA
Mais uma vez, a prefeitura de Jequié, sem ouvir os artistas, produtores de cultura, associações, conselhos representativos, acadêmicos, notadamente professores e alunos recém-formados do Curso de Teatro da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Campus de Jequié, apresentou o Projeto Arquitetônico para o Palácio das Artes Ministro Spínola, antigo Teatro Municipal.
Um Projeto oriundo da vontade pessoal do Prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), guiado pela sua vaidade e orgulho, que não permite ouvir os anseios do universo cultural da cidade, propõe desembolsar uma quantia vultuosa de R$ 5.400.00,00 (Cinco milhões e quatrocentos mil reais) obitidos dos esfolados pagadores de impostos, para fazer um teatro imponente, ambicioso e faraônico.
Faraônico porque Jequié já tem um Centro de Cultura Moderno que permite recepcionar qualquer artista ou espetáculo de caráter nacional, sendo um dos mais bem equipados espaços culturais da Bahia, o maior em espaço físico no interior do estado, e que dispõe de uma sala de espetáculos com capacidade para 518 espectadores, em assentos fixos e móveis, distribuídos entre a plateia e o balcão superior, Cabine de Sonorização e Iluminação cênica, além de 03 salas de ensaio, Foyer, Galeria de Artes, 02 alojamentos (masculino e feminino) e completamente climatizado.
QUAL TEATRO JEQUIÉ PRECISA?
Claro que ninguém é contra a reforma do Teatro Municipal de Jequié. òbvio! Afinal a cobraça pela reforma tem sido um clamor não só dos artistas, como da sociedade toda e inclusive da Câmara de Vereadores de Jequié. Entretanto, o Teatro Municipal de Jequié deve atender as necessidades e demandas dos artistas locais e ter capacidade para receber peças e espetáculos teatrais de médio e grande porte, desde que seja um espaço democrático e acessível ao artista local. Pelo mundo a fora, os Teatros que representam o berço e o refúgio da cultura secular, preservam sua própria história, suas características e originalidades.
Transformar o Teatro Municipal de Jequié em um cartão de visita político, com vistas a ostentar a “grandeza e a majestosidade” do gestor, é desvirtuar a própria cultura popular, que por ser bela é ao mesmo tempo singela, discreta e popular.
FALTA SENSIBILIDADE
A falta de sensibilidade se estende não só em querer ser o maior, o mais belo, o mais exuberante, mas em também sepultar suas características e histórias, arrancando e jogando ao lixo, as históricas e elogiadas pelo IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, poltronas do Teatro Municipal de Jequié, testemunhas de tantos risos e emoções, e sendo as últimas ainda preservadas entre todos os Teatros no Brasil.
O Teatro Municipal deve ser reflexo das histórias de luta do seu povo, das conquistas culturais, o palco das revelações de grandes talentos, o celeiro vivo de grandes manifestações artísticas e culturais. É o lugar de fala, de gente que merece oportunidade, inserção, apoio e aplausos.
Um audacioso equipamento cultural tem seus custos de manutenção e funcionamento. Elementos que poderão impedir ao pequeno artista, o artesão iniciante, às comunidades carentes, o acesso fácil em razão do seu alto custo de pauta. Que o Teatro Municipal de Jequié seja tudo isso, mas, antes e acima de tudo isso, que seja fruto do discursão e entendimento dos atores sociais e das comunidades culturais.

Benedito Freire Sena é Músico, ex-Diretor de Promoção Cultural, ex-Secretário de Cultura e Turismo de Jequié e colunista da TV Jequié em artigos sobre a cultura.