Entre janeiro e agosto de 2026, a Prefeitura de Jequié destinou R$ 136,25 milhões à saúde pública municipal, uma média superior a R$ 17 milhões por mês. Desse total, R$ 58,77 milhões foram aplicados na Atenção Básica, R$ 46,64 milhões na Assistência Hospitalar e Ambulatorial e R$ 22,23 milhões na Administração Geral.
Os números impressionam, mas esbarram em uma realidade frequentemente relatada por usuários do sistema: demora para consultas, exames especializados e procedimentos essenciais. Entre as reclamações estão casos de pacientes que aguardam há anos pela realização de uma endoscopia, situação incompatível com a urgência diagnóstica que muitos casos exigem.
A Constituição Federal estabelece que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), cabe ao município exercer papel central na oferta de uma Atenção Básica eficiente, resolutiva e acessível. Quando a porta de entrada do sistema falha, os problemas se acumulam e acabam sendo empurrados para os hospitais de média e alta complexidade.
Nesse contexto, a fragilidade da assistência básica não afeta apenas os postos de saúde. Ela contribui diretamente para a superlotação do Hospital Geral Prado Valadares e para o agravamento da fila de regulação, já que pacientes que poderiam ter seus problemas solucionados precocemente passam a depender de internações, exames e tratamentos mais complexos.
A principal contradição está justamente aí: quanto maior o investimento público, maior deve ser a capacidade de resposta do serviço. Recursos elevados não podem servir como justificativa para resultados insatisfatórios. Pelo contrário, ampliam a responsabilidade da gestão perante a sociedade.
Não se questiona a existência dos gastos, mas a efetividade de sua aplicação. Afinal, se a saúde municipal caminha para consumir cerca de R$ 200 milhões em um único ano, é legítimo que a população cobre redução das filas, acesso mais rápido a exames, fortalecimento da atenção básica e maior transparência sobre os resultados alcançados.
Dinheiro público não é indicador de eficiência por si só. O verdadeiro parâmetro é a experiência do cidadão. E enquanto pacientes seguirem aguardando anos por procedimentos essenciais, permanecerá a dúvida que a gestão municipal precisa responder: por que se gasta tanto e se entrega tão pouco?
Fonte de Dados: TCM/BA e Portal da Transparência/prefeitura de Jequié
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DEMONSTRATIVO ORÇAMENTÁRIO SAÚDE DE JEQUIÉ
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