
Enquanto carretas aportam em Jequié transportando estruturas gigantescas, bandeirolas cobrem as principais ruas do centro da cidade, personagens até então nunca vistas fazem filmetes para redes sociais, o trânsito vive o caos frenético, um outro lado da realidade, de conhecimento de poucos, contrasta com o sentimento de folia que impera na cidade.

Para longe desse clima de festança e gastança, estão famílias produtivas da Zona Rural de Jequié que vivem o extremo da atenção pública, que deveria se fazer mais presente e eficaz para amenizar o sofrimento daqueles que já não têm para quem apelar.
São gritos que ecoam de dentro das matas, do terreiro árido da caatinga, das estradas interditadas ou impedidas de acesso, que suplicam pela presença da prefeitura, como se suplicassem pela liberdade, pela soltura, pelo direito de ir e vir.

Esses pedidos de socorro vêm de lá do Rio do Antônio, do Assentamento Santa Cruz e São Judas Tadeu, da Beira Rio, do Limoeiro, de Florestal, da Cachoeirinha, da Pedra Redonda, do Campo Largo e de tantos outros lugares que clamam pela atenção da prefeitura de Jequié.

Enquanto as redes sociais são invadidas por posts instagramáveis dos mais requintados e custosos, evidenciando o grande momento, enquanto as rádios tocam as músicas juninas anunciando a chegada da grande festa de São João, a maior do Brasil, como afirmou o prefeito Zé Cocá (PP), no esquecimento sepulcral estão a maioria daqueles que, da sua lavoura, alimentam a cidade, abastecem as feiras, enriquecem as mesas fartas dos poderosos que fingem não ouvir os clamores dos esquecidos nos campos.

E, como uma enxada amolada que arranca as ervas daninhas sem selecionar a espécie, o robô designado pela prefeitura de Jequié tenta consolar os reclamantes com frases únicas, padrão, sem sentimento, sempre com a mesma resposta para aqueles que ainda nutrem a esperança de serem ouvidos, atendidos, contemplados. Pobres mortais que ainda acreditam nos homens que imperam e se perpetuam no poder.