A falta de transparência, divulgação ineficaz das escutas públicas, valores mal distribuídos entre os segmentos artísticos, entre outros pontos causaram muita confusão durante a reunião do conselho de cultura
Durante uma reunião ordinária do Conselho Municipal de Cultura de Jequié, convocada pelo ofício CMPC – Of. 0023 03/2026, realizada na noite de segunda-feira (09/03/2026), na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, foram muitos os questionamentos dos artistas, produtores e agentes culturais envolvendo o plano de aplicação dos recursos federais, em torno de R$ 1.218.000,00 (hum milhão duzentos e dezoito mil reais), que foram repassados à prefeitura de Jequié, pelo Ministério da Cultura (MinC), para a execução do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Enquanto falava a Diretora de Promoção Cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Virgínia Pimentel, artistas locais apresentavam suas primeiras divergências que são naturais em qualquer discussão democrática. No entanto, as queixas sobre os diversos pontos relacionados ao gerenciamento da PNAB, realizado pela prefeitura de Jequié, foram aumentando e, no calor do momento, o presidente do conselho municipal de cultura, o professor Roque Geambastiani, tomou a palavra para confrontar posicionamentos de artistas, gerando muito desentendimento. Em seguida, o presidente colocou o cargo à disposição e se retirou do local antes mesmo de encerrar a reunião ordinária da entidade.
Um longo áudio que circula nos grupos de Whatsapp e que vem sendo atribuído ao presidente do conselho de cultura de Jequié, revela o seguinte conteúdo:
“Essa questão de estar aqui como presidente do conselho eu não faço questão nenhuma. Eu não procurei ninguém pra estar aqui nesse lugar. Foi Domingos, o secretário de cultura quem me convenceu. (...) Eu não queria de jeito nenhum. Então, eu aceitei só pra ajudar Domingos. Eu só tive um voto, ou seja, tive 100% dos votos. Dos dezessete conselheiros, só tem oito que estão participando. Como eu não sou covarde, eu entrei no conselho sem entender nada, sem conhecer lei nenhuma, sem saber quais são as lutas que os artistas têm, eu simplesmente entrei pra ajudar, mas, sem saber de nada. (...) Agora, imagine! Eu não estou ganhando nada por isso e o pior de tudo, eu ainda tenho que ouvir desaforos de pessoas que eu nem conheço falando alto comigo, eu não vou admitir, eu estou fazendo um favor. (...) Eu tenho o maior prazer de sair da presidência”.
A falta de transparência, divulgação ineficiente das convocações para as escutas públicas com a sociedade civil, valores mal distribuídos entre os segmentos artísticos no Plano de Aplicação dos Recursos (PAR), ausência de algumas atas de reuniões, entre outros fatores relacionados ao processo de implementação da PNAB, coordenado pela prefeitura de Jequié, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, tem provocado um descontentamento geral.
Ainda sobre falhas no gerenciamento da Política Nacional Aldir Blanc, em Jequié, no dia 16 de dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado da Bahia, através da 4ª Promotoria de Justiça, expediu Recomendação direcionada à Prefeitura de Jequié, subscrita pelo Promotor de Justiça, Dr.º Artur Rios, sobre irregularidades constatadas, conforme o seguinte trecho:
“(...) o Ministério Público constatou a procedência da reclamação. Verificou-se que a prática adotada pela Secretaria de Cultura e Turismo [de Jequié] — de sonegar o acesso às razões de decidir da banca examinadora durante o prazo para interposição de recurso — fere frontalmente os princípios constitucionais da publicidade e da ampla defesa (art. 5º, LV e art. 37, caput, da CF/88), uma vez que impede o candidato de contrapor especificamente os fundamentos de sua classificação”.