Os feirantes de Jequié exercem importante papel na economia do município. A comercialização de grãos e derivados da hortifruticultura atrai aproximadamente, mais de 30 mil consumidores semanalmente ao CEAVIG-Centro de Abastecimento Vicente Grillo, em Jequié, reflexo da atividade comercial exercida pelos feirantes.
A feira livre de Jequié é reconhecida na região como a mais diversificada e extensa em tamanho, comercializando os mais variados produtos oriundos de diversas regiões produtivas da Bahia e de outros estados.
Jequié está numa região de transição climática, entre os biomas da caatinga, Mata de Cipó e remanescentes da Mata Atlântica. A Caatinga apresenta uma grande diversidade de atividades agropecuárias, principalmente porque as características naturais típicas do bioma (clima, vegetação, solo, etc.), são bastante variadas em toda a região, assim como são diversas suas condições socioeconômicas, culturais e históricas.
A Mata de Cipó tem sua importância peculiar como refúgio de espécies e pluralidade genética para a floresta e é também bastante produtiva.
A zona da Mata que abrange Jequié é rica em água, solo de qualidade e produz de tudo. Do gado de corte ao hortifrutigranjeiro, grandes produtores e pequenas famílias produtivas do campo contribuem para esse cenário econômico importante para uma cidade sem matriz econômica definida.
Mas um fato lamentável, observado por poucos e mantido por interesses obscuros, é imposto à economia agrícola de Jequié, que reflete diretamente na Feira Livre. Sem falar da falta de projeto para as margens produtivas da Barragem das Pedras, Jequié tem terras férteis, água e energia em abundância, produz e vende a maior parte de sua produção para outros centros de comercialização, a exemplo de Jaguaquara.
Agora o aspecto anti econômico. Jequié produz, vende para Jaguaquara e depois os feirantes de Jequié vão à Jaguaquara comprar aquilo que Jequié produziu, com preço majorado e traz para vender em Jequié. Onde tá a lógica desse modelo econômico?
Sem aprofundar nesse modelo bizarro e vergonhoso de economia de produção, correm por fora os riscos perenes desse atraso, quando feirantes são obrigados a enfrentar a mortífera BR 116, trecho da ladeira do mutum, líder regional em mortes por acidentes, no deslocamento ao CEASA de Jaguaquara para comprar a própria produção com preços impostos por atravessadores.
Será que a implantação de um CEASA EM JEQUIÉ não faz bem aos possíveis acordos e interesses políticos entre os gestores das duas cidades, Jequié e Jaguaquara, já que Jaguaquara se mostrou excelente reduto eleitoral com ótimo desemprenho de quase 9 mil votos no último pleito estadual?
Um CEASA em Jequié enfraqueceria a CEASA de Jaguaquara?
Ou um CEASA em Jequié representaria a perda do reduto eleitoral para apenas um político?
Bem que os Deputados Estaduais e Federais que foram votados em Jequié, os vereadores eleitos, CDL, ACIJ, Sindicomércio, Conselho Comunitário e demais entidades representativas poderiam envidar esforços na construção da CEASA DE JEQUIÉ. Evitaríamos toda essa vergonha econômica, além de oportunizar a comercialização da produção das pequenas famílias produtivas, a atração de compradores regionais, o fortalecimento das divisas econômicas e a geração de mais empregos, renda e impostos.