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segunda-feira, 02 de março de 2026

Notícias/Editorial

Por que Jequié foi considerada Cidade Violenta? Como virar o jogo e chegar à luz?

Incrível, mas como os dados da violência em Jequié impulsionaram não só a política partidária, como também revelaram a fragilidade das políticas públicas municipais

Por que Jequié foi considerada Cidade Violenta? Como virar o jogo e chegar à luz?
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Afamada de cidade mais violenta do Brasil em 2022, Jequié vem pagando caro por uma situação que não transparece a completa realidade, mesmo havendo notificação da Secretaria de Segurança Pública da Bahia para o crescimento de homicídios dolosos, que no primeiro trimeste de 2024, já somam 43, frente aos 32 do primeiro trimeste de 2023.

Entretanto, é preciso fazer uma leitura mais séria diante dos dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP de 2022, desconsiderado por grande parte da imprensa de Jequié, que se debruçou apenas no título que a cidade ostenta.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública considera como mortes violentas, diversos tipos de homicídios dolosos, inclusive aqueles decorrentes de ação policial, abarcando nesta estatística, a mortalidade de policiais em serviço.

Perfil das Vítimas de Homicídios 

  • 91,4% são homens
  • 76,9% das vítimas são negras
  • 50,2% faixa etária de 12 a 29 anos
  • 76,5% dos homicídios registrados foram cometidos com armas de fogo

PREOCUPAÇÃO DO PREFEITO

Em agosto de 2023, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), em entrevista ao Portal de Notícias Política Livre, afirmou que o presídio de Jequié é um problema crônico de segurança e que era preciso que bloqueadores de sinal de celular fossem instalados no presídio, de onde muitos criminosos organizam ações lá de dentro, muitas vezes por meio de contatos estabelecidos com familiares que moram em residenciais próximos. 

Mesmo não sendo responsável pelas políticas de segurança pública do Estado, cabe a cada município estabelecer seu plano de ação para colaborar no combate à violência urbana, em conjunto com o Estado, diante das políticas públicas de promoção da qualidade de vida, com educação, saúde, cultura e principalmente, qualificação profissional e acesso à emprego e renda, notadamente à população economicamente ativa de 12 a 29 anos, que fazem parte das estatísticas da violência urbana apontada pelo Anuário.

POPULAÇÃO VUNERAVEL

Jequié possui aproximadamente 55 mil jovens com idade entre 12 e 29 anos, sendo que a maior parte reside em bairros periféricos e não contam com o mesmo apoio e estrutura dispensadas aos jovens de bairros centrais.

É dever dos municípios que possuem moradias do programa Minha Casa Minha Vida, criar programas de capacitação e profissionalização para as famílias ali residentes. Em Jequié somente no início de 2024, o município começou a colocar em prática os programas sociais para o Minha Casa Minha Vida.

CAPACITAÇÃO AQUÉM

A prefeitura de Jequié possui a Central de Cursos que é mantida através de repasses de recursos do Governo Federal e oferece cursos profissionalizantes para pessoas cadastradas no CadÚnico. Este projeto é uma das exigências do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Em 2020, foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Jequié, a lei Nº 1.254, objetivando conceder incentivos tributários as empresas instaladas no município, que fizessem adesão ao programa e passassem a gerar emprego para jovens de 15 a 29 anos. A lei não saiu do papel desde a sua criação.

SEM DESENVOLVIMENTO ALMEJADO

A geração de emprego Jequié tem sido um tema esquecido ou pouco fomentado. Os números exibidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados -CAGED, apontou no mês de dezembro, um saldo negativo de -11 (menos onze) empregos gerados em Jequié, sendo elevado para + 211, graças a chegada do Atakarejo e Economart, empresas do ramo atacadista de alimentos.

Sem políticas mais efetivas de incentivos fiscais para atrações de novas empresas para o município, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é grande elefante que se arrasta vagarosamente, consumindo recursos públicos em sua manutenção, sob a condução de entidades que representam o comércio varejista e os industriais.

De acordo com Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, dos 158 mil habitantes de Jequié, apenas 26.452 moradores, ou seja16,93% da população, estão empregados com carteira assinada.

Esse número que oscila e orbita em torno das poucas empresas que estão estabelecidas no município há décadas como a Ramarim Calçados do Nordeste. Outro fato que chama a atenção é que 43% dos jequieenses sobrevive com meio salário por mês.

ALTA DE IMPOSTOS

A economia de Jequié, além de não ter a sua matriz econômica definida, vive do rebanho bovino, do cacau, da agricultura familiar, dos serviços e do comércio, este castigado pelas últimas enchentes de 2022, e que, aliado a isso, a pesada carga impostos que impede o seu crescimento, obrigando empresas a transferirem seus CNPJs para outras cidades de cargas menos elevadas.

CAMINHO VIÁVEL PARA O FUTURO

Quem nunca ouviu dizer que a União faz a força necessária?

Sem dúvidas que a solução para Jequié está na união de todos as forças representativas, focadas nas necessidades da população. E ser forte não é ser apenas competitivo. É preciso descer do salto, se revestir de humildade e empatia para compreender, sem vaidade, o clamor da população.

Enquanto houver a formação de grupos separatistas que mais divide do que trabalha pela cidade, o sofrimento da população está longe de findar. Enquanto houver o fomento para a disputa de poder pelo poder, com introdução de personagens reles, advindas do anonimato e que hoje exercem o papel da truculência, da violação dos direitos constitucionais de expressão, da proibição da opinião alheia e da participação comunitária, a democracia e a possibilidade de um governo participativo está, de fato, ameaçado por uma visão retrógada e coronelista, com formação de casta política familiar.

Não haverá solução para a lavoura sem a extração das ervas daninhas que militam na política partidária extremista e conservadora, alimentada pela arrogância e a mentira em forma de propaganda ilusionista e fanática. É preciso ser mais fiel à voz da população, sem traíção, sem promessas, sem demagogia.

FONTE/CRÉDITOS: Emanoel Andrade
Emanoel Andrade

Publicado por:

Emanoel Andrade

Emanoel Andrade é Cinegrafista, Jornalista e Editor não-linear. Já ocupou cargos públicos no setor de Comunicação Institucional, foi Presidente da Associação de Imprensa, Secretário de Comunicação, Diretor de Marketing da CDL/Jequié e Membro Titular...

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