Parece descabido, senão perverso, todo esse silêncio que reina sobre as barbáries que marcaram e continuarão a marcar os corações de famílias inteiras que perderam ou perderão seus entes queridos em acidentes automobilísticos na Ladeira do Mutum. Quantas lágrimas já foram derramadas nessas perdas irreparáveis?
Neste momento ímpar de discussões sobre a Nova Concessão das BRs 116 e 324, o silêncio tomou conta, desencorajou e emudeceu aqueles que outrora gritaram e conquistaram quase o impossível, como por exemplo o Curso de Medicina para o Campus da UESB de Jequié.
Lembro-me e fiz parte da caravana que seguiu à Vitória da Conquista sob a liderança do presidente do Conselho Comunitário de Jequié, Dr. Mauricio Cavalcanti, acompanhado de membros da CDL, ACIJ, SINCOMÉRCIO e outras entidades, que diante do CONCEPE, Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, defendeu com veemência a implantação do Curso de Medicina no Campus da UESB de Jequié, mesmo que esse benefício não tenha alcançado sequer 5% dos jovens jequieenses, sendo contemplados os jovens turistas acadêmicos, de famílias ricas que poderão ofertar ensino de melhor qualidade para seus filhos.
Exatamente nesta semana, quando o DNIT se propõe a ouvir a comunidade que margeia as BRs 116 e 330, o tão imponente município de Jequié, assim propagado pelo prefeito de Jequié, se cala, recua e perde sua característica aguerrida de buscar seus avanços.
Para além das autoridades políticas que chegam e saem de Jequié quase sempre de avião, a sociedade jequieense, que trafega pela BR 116, sentido Salvador ou Feira de Santana, não poderia deixar de ser ouvida e ter seu espaço de fala para assegurar no novo projeto de concessão, a obrigação imediata da duplicação da Serra do Mutum, pela empresa vencedora da licitação.
Fazer constar no projeto de concessão da DNIT, a duplicação da BR 116, trecho da Serra do Mutum, é proteger os que ali trafegam diariamente, os trabalhadores, os médicos, os garis, os executivos de empresas, as empregadas domésticas, os servidores da justiça, os pedreiros, os comerciários, as mães e pais de família que buscam a BR 116 pelo mais variados motivos.
É inadmissível o silêncio dos clubes de serviços, das representações comerciais, industriais, educacionais e sociais. É ainda mais inadimissível o silêncio daqueles que são pagos com o dinheiro público para fazer a defesa da vida, também. De fato! Jequié parece ser uma cidade de cordeiros, até demais para meu gosto.