O Colégio Municipal, em Jequié, que leva o nome do Presidente Médici, remete em suas paredes frias, os horrores do AI5, o Ato Institucional do Governo Militar, do Marechal Arthur da Costa e Silva, presidente que decretou o início do período mais violento da ditadura militar no Brasil.
E foi pelas mãos do Presidente Médici que o AI-5 recebeu amplos poderes para atuar livremente durante o regime militar. Foi com Médici que vários partidos políticos foram eliminados e as eleições foram totalmente controladas e presidentes foram nomeados por via militar.
PÁLIDA LEMBRANÇA
A festa feita pelo prefeito Zé Cocá (PP) e seus convidados, na reinauguração da reforma do Colégio Médici, que custou mais de R$ 2,6 milhões, destoa da fachada da unidade escolar que ostenta o nome de quem cujas lembranças remetem à censura à imprensa, à perseguição brutal da oposição política com relatos de tortura e violações dos Direitos Humanos, ao autoritarismo que começou após o Golpe de 1964, ao controle total da sociedade brasileira e o impedimento das mudanças significativas no cenário político brasileiro.
O filme de Walter Salles deveria ser exibido para os alunos no momento da inauguração do Colégio “Médici”, para que todos tivessem a oportunidade de tomar conhecimento dos crimes da ditadura, mesmo em dias atuais, onde raízes desse período das trevas relutam em brotar em todos os cantos da sociedade.
“Ainda estou aqui”, poderia mudar o curso da inauguração da unidade escolar, e no lugar das palmas retumbantes, o silêncio profundo, com lágrimas nos rostos entristecidos dos estudantes, sensibilizados pelo sofrimento de quem viveu os horrores, as torturas, as mortes e ocultação dos corpos ocorrida no período militar.
É de fato incompreensível como uma unidade escolar, na contramão da história e contrário à realidade de hoje, ostenta o nome de quem foi contra o equilíbrio e o desenvolvimento da sociedade, do avanço da educação, da liberdade de expressão e de um país soberano em suas escolhas.
É bom que não se esqueçam de que o perdão dado aos criminosos da ditadura militar, diante da Anistia Geral para crimes políticos, promulgada em 1979, é responsável por ostentar e homenagear essas amargas lembranças em unidades escolares, praças, ruas, prédios públicos, viadutos, rodovias e tantos outros bens públicos.
É bom que se saiba que, embora os fantasmas da ditadura ainda possam pairar, os brasileiros não estão dispostos a desviar o olhar. E em Jequié, esse sentimento não é diferente.
#elesnão, nunca!
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