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Quinta-feira, 16 de Julho 2026
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Notícias/Cultura

Jequié: um celeiro de Artistas do silêncio e da inércia

A pedra do Curral Novo foi posta, em silêncio, sobre os sonhos dos artistas de Jequié

Jequié: um celeiro de Artistas do silêncio e da inércia
Divulgação/Ascom PMJ
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Parece que estamos de volta aos tempos do Cinema Mudo. Aliás, o cinema mudo era mais emotivo, movimentado e expressava através de gestos, as emoções dos artistas que marcaram épocas. Em 1926, a Warner Brothers introduziu o sistema de som Vitaphone e, no ano seguinte, lançou o filme “The Jazz Singer”, em que, pela primeira vez na história do cinema, havia diálogos e canções sincronizados às imagens – ainda que intercalados a trechos sem som. De lá até hoje, muita coisa evoluiu. Menos o Teatro de Jequié que passou a ser o palco do silêncio sepulcral.

Secretário de Cultura, Prefeito e o Deputado Hassan
no Ato de Assinatura da Ordem de Serviço

Em fevereiro de 2022, Zé Cocá (PP), ladeado por Domingos Ailton (PV), assinava a Ordem de Serviço para reforma do Teatro Municipal de Jequié. Por alguns momentos conturbados e pouco transparente, o som dos martelos e talhadeiras ecoaram no palco do maltratado do Teatro de Jequié, como se ali estivesse acontecendo, de fato, uma nobre reforma. Logo após, o silêncio voltou a imperar, produzindo um coro ensurdecedor, com notas de revelia e discrepância.

O palco da vida que esbanja arte e cultura e produz sonoros aplausos, se calou. Emudeceu. Os sons dos instrumentos das orquestras dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia – NEOJIBA, foi substituído pelos autos falantes das emissoras de rádio que reproduzem, diariamente, nomes invisíveis de jovens levados pelas drogas, fruto da falta de políticas públicas, e até mesmo de um Teatro Municipal.

Enquanto isso, a classe artística de Jequié permanece em completo silêncio, possivelmente se tornando cúmplice dos desmandos que relegam a arte ao último plano.

Não os vemos na Câmara de Vereadores, nos Clubes de Serviço, nas veias do judiciário, até com cartazes nos semáforos, maquiados, trajados... protestando, pedindo o que é seu, por Lei.

De nada vale ter Teatro de Elite na UESB, acessível à poucos, que aqui se diplomam e na sua maioria, voltam às suas origens.

De que vale as praças novas, sem a arte dos jovens da periferia?

De que vale um Teatro Municipal fechado, permutado por praças vazias?

De que vale um artista silencioso, sem face, sem coragem e sem destino?

De que vale as migalhas juninas, a humilhação e desrespeito?

De que vale o medo de enfrentar o sistema?

De que vale um artista mudo?

FONTE/CRÉDITOS: TV Jequié
Emanoel Andrade

Publicado por:

Emanoel Andrade

Emanoel Andrade é Cinegrafista, Jornalista e Editor não-linear. Já ocupou cargos públicos no setor de Comunicação Institucional, foi Presidente da Associação de Imprensa, Secretário de Comunicação, Diretor de Marketing da CDL/Jequié e Membro Titular...

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