Jequié e cidades circunvizinhas, no sudoeste baiano, destacam-se em meio às disputas internacionais por Terras Raras, e está prestes a se tornar um polo estratégico na produção global de Terras Raras além de Nióbio. Esses elementos químicos são indispensáveis na fabricação de equipamentos com tecnologias de ponta, como eletrônicos, turbinas eólicas e veículos elétricos, impulsionando a transição energética mundial.
Com a atração de capital Australiano, a região da Bahia se posiciona para se tornar um polo produtor vital, prometendo transformar a economia local e fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional.
EUA Entra Jogando pesado na Disputa Global por Minerais Estratégicos. Embora o nome sugira raridade, as Terras Raras são encontradas na natureza, frequentemente associadas a outros minerais. A busca por insumos químicos economicamente viáveis e o domínio da tecnologia de processamento desses elementos estão no cerne de uma intensa disputa geopolítica entre potências como EUA, Europa e China, que buscam controlar a cadeia de suprimento desses insumos essenciais.
O mercado global de Terras Raras é estimado em cerca de 6 bilhões de dólares por ano, com projeções de crescimento de 10% anualmente, podendo atingir 14 bilhões de dólares até 2028. Esse crescimento exponencial é alimentado pela crescente demanda por tecnologias de energia limpa, eletrônicos de consumo e veículos elétricos.
Duas empresas australianas capitalizadas na bolsa da Austrália despontam como atores-chave na região de Jequié: a Australia Mines e a Equinox Resources, cada uma com seus projetos e metodologias específicas, mas compartilhando a visão do potencial baiano.
AUSTRALIA MINES: PIONEIRISMO E A TECNOLOGIA A SECO.
A Australia Mines, anteriormente Elementos Minerais, tem demonstrado compromisso com a viabilidade de seu projeto, que se baseia em uma tecnologia limpa e inovadora para o beneficiamento do monazita. O destaque é a intenção de utilizar um processo a seco, o que elimina a necessidade de barragens de rejeitos, uma das maiores preocupações ambientais na mineração. Essa abordagem minimiza o impacto ecológico, alinhando-se à crescente demanda global por minerais com menor pegada ambiental.
Desde 23 de abril de 2024, a Austrália Mines está conduzindo a Fase 3 de exploração, caracterizada por uma abordagem “disciplinada e sistemática” para identificar alvos precisos para perfuração. As atividades incluem:
- Mapeamento geológico detalhado: Para entender a estrutura e composição da rocha.
- Amostragem de fragmentos de rocha e sedimentos de riachos: Coleta para análise geoquímica.
- Amostragem de solo em grade: Coleta sistemática para identificar anomalias geoquímicas.
A exploração se concentra em duas áreas de alta prioridade: Jequié Norte e Jequié Sul. Jequié Norte exibe uma “anomalia de Tório sigmóide” de cerca de 7 km, com leucogranitos radioativos, e é alvo de um programa intensivo de amostragem de solo. Jequié Sul, com uma “anomalia de tório linear” de 25 km e charnockita radioativa, está recebendo um programa abrangente de amostragem de sedimentos de rios. Ambas as áreas mostram alto potencial para mineralização de terras raras.
Equinox Resources: Projeto Campo Grande e Verticalização Estratégica
A Equinox Resources está investindo na busca por Terras Raras em argilas iônicas, com projetos no Brasil, incluindo o ambicioso Projeto Campo Grande em Jequié. O CEO da empresa, Sr. Zac Komur, avalia que o Brasil possui “geologia com potencial para reservas de classe internacional, infraestrutura e segurança jurídica”, fatores que favorecem os investimentos.
Com uma área de aproximadamente 1.755,2 km², a Equinox pretende investir até agosto R$ 10 milhões na primeira fase de estudos do Projeto Campo Grande, que envolve trabalhos de geologia, geofísica e geoquímica para determinar teores, tamanho da reserva e viabilidade econômica. Além da extração, a empresa planeja verticalizar a produção na Bahia, separando e processando os elementos de Terras Raras para agregar valor.
Parcerias e Desenvolvimento: Um Modelo de Colaboração
O sucesso dos empreendimentos em Jequié passa por um forte diálogo e parcerias estratégicas. A Equinox Resources, por exemplo, tem se reunido com diversas esferas do poder público e instituições:
- Governo Federal:Em Brasília, Zac Komur apresentou os planos da empresa a autoridades federais.
- Prefeitura de Jequié:Encontros com o prefeito Zé Cocá focaram em parcerias para qualificação de mão de obra e investimentos em infraestrutura e projetos socioambientais. O prefeito destacou a disposição da empresa em “discutir com o município, trazendo alternativas e já mostrando que a curto prazo já vem para gerar emprego e renda.”
- Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM):Em Salvador, Komur se reuniu com o presidente Henrique Carbalhal e equipe da CBPM, que busca garantir o desenvolvimento econômico do estado através da mineração. A Ígnea Geologia e Meio Ambiente, consultora da Equinox, foi fundamental na identificação das áreas na Bahia.
- Universidade Federal da Bahia (UFBA):A Equinox está construindo uma parceria estratégica com o departamento de geologia e geofísica da UFBA. A empresa pretende oferecer bolsas de mestrado e doutorado para pesquisas que aprofundem o conhecimento geológico na área do projeto Campo Grande, com a universidade contribuindo com sua expertise em campo e análises geoquímicas.
- Agência Nacional de Mineração (ANM):O executivo da Equinox também se reuniu com a gerente regional da ANM na Bahia, Carla Ferreira Vieira Martins, buscando parceria para viabilizar o empreendimento e convidando a agência para um simpósio sobre Terras Raras em Jequié em julho.
- Desafios e o Futuro Promissor da Bahia
A riqueza do subsolo jequieense em terras raras, especialmente neodímio e praseodímio – essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance –, representa uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento. A exploração desses minerais não só gerará empregos e renda, mas também pode atrair investimentos em infraestrutura e serviços, transformando a realidade socioeconômica de Jequié e consolidando sua posição como um vetor de progresso para a Bahia e para o Brasil.
O sucesso desses projetos dependerá não apenas da viabilidade econômica dos depósitos, mas também da capacidade das empresas de implementar e gerenciar práticas de mineração que garantam a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável da região, sempre sob o rigoroso processo de licenciamento ambiental brasileiro. Jequié se prepara para uma nova era, onde seu subsolo pode ser a chave para o avanço tecnológico global.
Resumo:
A Equinox Resources está realizando pesquisas de Terras Raras no projeto Campo Grande, localizado em Jequié, Bahia, com foco em áreas de alto teor de minério. A empresa australiana planeja investir R$ 10 milhões em sondagem e exploração na região. A ANM (Agência Nacional de Mineração) está acompanhando os planos da Equinox para o projeto Campo Grande.
Detalhes:
Projeto Campo Grande:
A Equinox Resources está desenvolvendo o projeto de Terras Raras Campo Grande na Bahia, com foco em depósitos de argila iônica, que são tipicamente próximos à superfície.
Programa de Perfuração:
A empresa iniciou um programa de perfuração com trado para avaliar o potencial de mineralização de argila de alto teor e rochas duras de terras raras.
Investimento:
A Equinox Resources planeja investir US$ 10 milhões em sondagem na Bahia e em Minas Gerais, com foco inicial no projeto Campo Grande.
Parceria:
A empresa busca parcerias estratégicas com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e a Universidade Federal da Bahia para avançar no projeto.
Acompanhamento da ANM:
A gerente regional da ANM na Bahia, Carla Ferreira Vieira Martins, visitou a área do projeto para conhecer os planos da Equinox.
Potencial de Jequié:
Jequié pode se tornar um polo produtor de Terras Raras, impulsionando o desenvolvimento econômico da região e contribuindo para a produção de tecnologias de energia limpa, eletrônicos e veículos elétricos.
Oportuna Relevância das Terras Raras no Momento Histórico da Indústria de Ponta:
As Terras Raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para diversas tecnologias modernas, como eletrônicos, turbinas eólicas e veículos elétricos. A crescente demanda por essas tecnologias têm impulsionado a exploração e produção de Terras Raras em nível global.
A atuação da Equinox Resources em Jequié, com o apoio da ANM e de outras instituições, demonstra o potencial da região para se tornar um importante centro de produção de Terras Raras no Brasil.
Até então, o presidente Lula tem sido firme, e peitou o presidente da maior economia mundial, o presidente dos EUA, Trump (acostumado a ter preferência na exploração dos grandes negócios brasileiros), e já deu a entender que não deve ceder ao determinismo americano que pretende reverter esse processo, dando-lhes preferência arbitrária. Até então, todas as fases de licenciamento e concessão, vem ocorrendo normalmente (embora muito lento) junto à Agência de Mineração Nacional (ANM).
O povo de Jequié aguarda ansiosamente pelo desfecho desse processo e breve início da exploração mineral, que deve sim, elevar o nível e volume econômico e social em Jequié, que tem inclusive, precisando mais que nunca, de geração de emprego e renda local. Jequié que até então é a segunda cidade mais violenta do país, sendo disputadas por facções nacionais… vê-se agora sob disputa internacional.
Será o fim dos tempos? Ou começo de uma nova era?
Ouça adicionalmente o Podcast do debate desse tema via link clicando aqui
Fonte: Ipiaú Online
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