O Camelódromo de Jequié, também conhecido como Galeria Municipal Walmick Almeida Andrade, situado na Praça da Bandeira e erguido pela administração municipal, enfrenta críticas de artistas e defensores do patrimônio público por violar a Lei de Proteção Cultural do Mercado Municipal. Além disso, a estrutura apresenta problemas de engenharia, os quais estão sendo abordados pelos vendedores que ocupam os espaços comerciais sob um contrato de comodato.
COMUNICAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Em agosto de 2023, o secretário de infraestrutura, Lucindo Meneses, encaminhou Notificação Formal à empresa contratada, onde cita que “após fiscalização de praxe, a Secretaria Municipal de Infraestrutura tomou conhecimento que a referida empresa vem procedendo a execução do serviço em desconformidade com as determinações de cronograma físico-financeiro constante do procedimento. Ainda, a Administração Pública Municipal buscou informações junto a empresa para solucionar o presente impasse e, passados mais de 30 dias, não há qualquer indício de cumprimento de suas obrigações ordinárias dentro do prazo previsto. Vale ressaltar que a já deveria estar em fase final e contém erros de construção graves e não reparados, ou seja, há má qualidade na execução dos serviços contratados”, diz a nota publicada em Diário Oficial do Município de Jequié.

PORTA INADEQUADAS
De acordo com alguns comerciantes, o espaço de vendas é excessivamente limitado e as portas dos box já estavam com problemas antes mesmo antes de serem aos comerciantes, pois foram entregues com apenas uma mola, resultando em desnível ao abrir ou fechar. Os comerciantes estão arcando com os custos do conserto, contratando serralheiros para realizar os reparos, conforme ilustrado na imagem abaixo.



VIDRO TEMPERADO DANIFICA PRODUTOS À VENDA
Uma outra crítica é a ausência de uma escada interna que conectasse os dois andares, fazendo com que o cliente tenha que acessar o segundo andar pela parte externa da galeria. Ademais, os boxes localizados no andar superior da galeria, voltados para a Rua Jerônimo Sodré, possuem vidro temperado na parte traseira, que fica para a rua, o que tem prejudicado os produtos à venda devido à luz solar que penetra pelo vidro, gerando um calor excessivo e danificando mercadorias expostas à venda. Não há quem suporte ficar dentro de um pequeno box e com o calor de mais de 40 graus.

PROJETO DE ALTO CUSTO
O contrato de número 213/2022, com um valor total de R$ 1.586.130,68 (um milhão quinhentos e oitenta e seis mil cento e trinta reais e sessenta e oito centavos), refere-se à contratação de uma empresa para adaptar um espaço público para a operação do camelódromo, situado na Praça da Bandeira. Este acordo foi formalizado entre a prefeitura de Jequié e a empresa Threeng Manutenção e Serviços Ltda no dia 30 de maio de 2022, tendo validade até 30 de maio de 2023, o que possivelmente marca o prazo final para a conclusão da obra que só foi entregue somente em 20 de outubro de 2024, com 17 meses de atraso, ou seja, 510 dias.
ADITIVOS
O projeto teve um aumento no custo em comparação com o valor inicial previsto no contrato, com um acréscimo de x% resultante de modificações autorizadas pela prefeitura, somando R$ 110.528,65 (cento e dez mil, quinhentos e vinte e oito reais e sessenta e cinco centavos), além de R$ 164.000,00 (cento e sessenta e quatro mil reais) e, finalmente, em 12 de março de 2024, um aditivo de R$ 410.934,35 (quatrocentos e dez mil novecentos e trinta e quatro reais e trinta e cinco centavos). O total de aditivos alcança R$ 685.463,00, que, quando acrescido ao valor original de R$ 1.586.130,68, resulta em um montante total de R$ 2.271.593,68, ou seja, 43,22% mais cara.