“A propaganda é a alma do negócio” é um ditado popular de autoria desconhecida, mas Zé Cocá parece ter compreendido muito bem a lição na política. Depois que assumiu a Prefeitura de Jequié, a ordem foi produzir, anunciar, publicar, impulsionar, mandar comentar e curtir. Dito e feito. A turma entrou em campo e, não é que o garoto-propaganda ganhou espaço?
Com investimento pesado em comunicação institucional, tudo virou vitrine. Obra virou postagem, evento virou vídeo, entrega virou divulgação. Imagem, rótulo e embalagem. E a embalagem, convenhamos, foi bem feita. Foi assim que Zé Cocá chegou ao mercado da política baiana como novidade: jovem, ousado e cercado de promessas de sucesso. Colocaram o produto na ponta da gôndola e começou o leilão: quem dá mais? Dou-lhe uma... dou-lhe duas... PT, algum lance? Quem dá mais? Dou-lhe três. Vendido para ACM Neto.
A promessa era sedutora: aglutinar dezenas de prefeitos, engrossar as fileiras da oposição e transformar o interior da Bahia num grande palanque político, indispensável para uma candidatura de direita disputar o Governo do Estado com competitividade. Só que uma coisa é a propaganda. Outra é o produto fora da embalagem. Com o desgaste provocado por polêmicas, questionamentos sobre as dívidas administrativas deixadas em Jequié e o desempenho pouco convincente do grupo que ficou na Prefeitura, Zé Cocá perdeu ritmo e, até agora, não entregou aquilo que teria sido vendido politicamente.
A grande articulação com dezenas de prefeitos não apareceu. Salvo o irmão, prefeito de Lafaiete Coutinho, município com pouco mais de três mil eleitores, e Manoel Vitorino, pouco se viu além disso. Muito pouco para quem chegou apresentado como liderança capaz de arrastar parte expressiva do interior da Bahia. E fica a impressão de que ACM Neto pode ter errado mais uma vez ao deixar Zé Ronaldo, de Feira de Santana, em segundo plano. Zé Ronaldo talvez não tivesse a mesma embalagem de novidade, mas já é produto conhecido, testado nas urnas e com peso político próprio.
A pergunta agora é outra: será que, lá na frente, alguém vai querer chamar o Código de Defesa do Consumidor? Produto vendido com promessa de funcionamento e que, na hora de usar, não entrega o que estava na propaganda? O problema é que, nesse caso, nem o artigo 18 resolve. Não dá para trocar, devolver ou pedir abatimento proporcional. Se não funcionar como anunciaram, vai acabar mesmo no canto da prateleira.
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