De 19 a 22 de agosto, Jequié realiza mais uma edição do Dia do Evangélico. A programação começa nesta quarta-feira (19), na Praça da Bíblia, reunindo milhares de pessoas para quatro noites de louvor, adoração e pregação da Palavra.
Entre as atrações anunciadas pela Prefeitura de Jequié e pela Ordem dos Pastores Evangélicos de Jequié (OPEJE) estão Samuel Eleotério, Julliany Souza, Thalles Roberto e Aline Barros, além de cantores, bandas, ministérios de louvor e pastores convidados.
Neste ano, porém, há uma situação diferente que merece atenção da organização: o Dia do Evangélico acontece em plena campanha eleitoral de 2026.
FÉ, PALANQUE E ELEIÇÃO
A presença de políticos e candidatos no meio do público não é, por si só, proibida. Como qualquer cidadão, um candidato pode participar da programação, acompanhar os shows, ouvir a Palavra e estar entre os fiéis.
A cautela começa quando a participação deixa de ser apenas presença e ganha contorno eleitoral.
A Lei nº 9.504/1997 proíbe a realização de showmício ou evento semelhante destinado à promoção de candidatos. Por isso, subir ao palco não constitui automaticamente uma ilegalidade, mas a utilização daquele espaço para pedir votos, divulgar candidatura, fazer discurso eleitoral, apresentar número de campanha, promover candidato ou associar as atrações artísticas a determinada candidatura pode levar o episódio para o campo da propaganda eleitoral irregular e, conforme as circunstâncias e a gravidade, do abuso de poder.
No caso de Jequié, existe uma cautela adicional: o evento é realizado em parceria com a Prefeitura e utiliza estrutura pública. Dinheiro, serviços, equipamentos e espaços custeados pelo Município não podem servir de instrumento para favorecer candidatura.
ISSO TAMBÉM VALE PARA QUEM NÃO É CANDIDATO.
O prefeito Flávio Santana pode naturalmente participar do Dia do Evangélico e exercer suas funções institucionais. O cuidado necessário está em separar a condição de prefeito da disputa eleitoral. Flávio é sobrinho de Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié e candidato a vice-governador na chapa de oposição ao Governo da Bahia.
Assim, eventual manifestação no palco em favor de Zé Cocá, de ACM Neto ou de qualquer outro candidato, sobretudo utilizando a condição de prefeito e a estrutura de um evento promovido com participação do poder público, poderá despertar questionamentos perante a Justiça Eleitoral.
A OPEJE e a Prefeitura, portanto, terão uma responsabilidade a mais neste ano: manter o palco como espaço de fé, louvor e celebração, sem permitir que ele seja transformado em palanque eleitoral.
Em ano de eleição, político pode estar no meio do povo. O que a legislação eleitoral não permite é que a estrutura pública e uma celebração religiosa sejam colocadas a serviço de uma candidatura.
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