Para começar a tentar entender melhor o atual cenário político da pacata cidade de Lafaiete Coutinho, no sudeste baiano, distante a 410 km de Salvador, não é preciso ir muito longe para compreendê-lo.
Antes de tudo, dê um play no vídeo abaixo para não perder a linha de raciocínio:
Bem! Começamos pelo pronunciamento da Deputada Federal Ivoneide Caetano (PT), quando comentou que o irmão do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), conhecido com Binho de Zé Cocá, “é do grupo de Bolsonaro. A gente deixa ele lá”. Vamos conversar com o candidato do PSD, vamos unificar, unificar com o time de Rui Costa, de Otto Alencar, meu senador, de Jerônimo, meu governador....(coincidência ou não, Binho de Cocá apagou todos os conteúdos das suas redes socias de 18 meses atrás até os dias atuais).
Dias atrás, a Deputada Federal Ivoneide Caetano (PT), surge expressando a sua "alegria nessa chapa da vitória, liderada pelo nosso candidato a prefeito, em breve, por que a convenção será agora dia 03/08, sábado, o nosso querido Binho (Binho de Zé Cocá) e tendo como vice, Dani do Som".
COISAS QUE O TEMPO NÃO APAGA
Ainda sobre o vídeo acima, o posicionamento do Governador da Bahia, Jerôrimo Rodrigues e do atual Ministro da Casa Civil do Governo Lula são firmes e carregados de sentimentos de decepção e amargura, diante do rompimento do prefeito Zé Cocá (PP), com o grupo do PT da Bahia, indo acompanhar o grupo de apoio à candidatura de ACM Neto (UB), para governador da Bahia, pleito o qual saiu derrotado diante da briosa vitória do PT.
Ainda permanecem vivas na memória de muitos, a passagem do governador Jerônimo Rodrigues, quando disse à Mário Kertész, que “o prefeito de Jequié é um ingrato. Rui o fez presidente da UPB, ajudou a fazer. O fez prefeito de Jequié. O fez deputado, ajudou bastante. fez tudo por ele. Cuspiu no prato. Não serve mais. O prato volta pra mesa da gente”, disse o governador num tom de bastante indignação e decepção.
Não muito distante desse sentimento de mágoa e decepção, quando o governador da Bahia, hoje Ministro da Casa Civil, Rui Costa, num evento na cidade de Lafaiete Coutinho, se emocionou ao lembrar das honrarias de caráter deixada pela sua mãe, “que dizia que você só conhece o ser humano com o tempo. O tempo vai mostrando a alma e o caráter das pessoas”, disse Rui Costa, num momento de muita emoção ao se referir ao prefeito de Jequié, Zé Cocá, que abandonou o PT para apoiar ACM Neto à governador em 2022.
Rui ainda lembrou do fato lamentável, quando Zé Cocá deixou o prefeito de Lafaiete Coutinho, Jão Véi, muitas vezes de fora do Palácio de Ondina, numa barraca, sozinho a esperar,argumentando que ele não poderia lhe acompanhar na audiência, porque o governador (Rui Costa) não atendia prefeito de cidade pequena. Rui ainda denominou Cocá de mentiroso.
TEMPO NOVOS. NOVOS AMIGOS?

Para além disso, eis que surge o anúncio da convenção municipal que apresenta uma mudança radical na composição política dos partidos e seus postulantes pré-candidatos à prefeito e vice-prefeito, veiculado num card que, além de coincidir com o último depoimento da Deputada Federal, Ivoneide Caetano (PT), revela a paz selada entre Jão Véi e Zé Cocá, adversários políticos de pouco tempo atrás, fruto de um expressivo desentendimento entre as partes, inclusive explicado por Zé Cocá, numa entrevista concedida ao radialista Elton Bispo, da rádio 95 Fm, de Jequié.
Zé Cocá, com mais força política conseguiu impor na situação, a colocação do nome do seu irmão como cabeça de chapa, restando apenas a Jão Vei a indicação do seu sucessor escolhido, mas agora na condição de pré-candidato a vice-prefeito.
AINDA TÁ LONGE DE ENTENDER TUDO ISSO

Para apertar o nó ainda mais e para surpresa de todos, eis que surge um novo card, mais elaborado, robusto, representativo e muito enigmático. Como se não fosse surpresa o anúncio da união de Jão Véi com Zé Cocá, eis que a peça publicitária da convenção partidária que acontecerá dia 03/08, sábado, traz as figuras ilustres do Ministro da Casa Civil do Governo Lula, Rui Costa (PT) e de Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador da Bahia.
Mas o que está acontecendo mesmo? Acabaram as divergências políticas? Tudo que aconteceu ficou para trás? A paz voltou a reinar entre os homens de bem na terra?
MAS, O QUE JOÃO LEÃO ACHA DESSE REENCONTRO DE AMIGOS?

Das últimas notícias circuladas nos maiores canais de comunicação da Bahia, a exemplo do Bahia Notícias, João Leão, cacique do PP baiano, afirmou no dia 25/07, há exatos 8 dias atrás, que o PP não voltará para a base do PT na Bahia: “Em 2026 vamos marchar com o bloco de oposição”, disse Leão.
Mas como assim? Se o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), está no Card da Convenção? O que aconteceu entre Zé Cocá e João Leão?
TEM MAIS AINDA PARA SE COMPREENDER
No meio de todo esse quebra-cabeça, assistem a tudo, sem entender quase nada, o grupo do PSD, base alinhada do Partido dos Trabalhadores e fiel aos princípios do Governador Jerônimo Rodrigues, que sempre teve ao seu lado, desde o início da sua campanha, quando apontou nas primeiras pesquisas com 3%, o Deputado Federal Antonio Brito, fiel escudeiro, que contra tudo e contra todos, manteve o pé firme e deu seu incondicional apoio à Jerônimo e todo o PT da Bahia, num disputa eleitoral quase impossível, mas não para a crença de Brito.
Possivelmente, essa movimentação tem mais o sentido de confundir a mente dos eleitores de Lafaiete Coutinho do que apresentar uma nova estrutura política entre representantes locais e estaduais, já que o curso natural das convergências políticas para as convenções partidárias, seria o governo do Estado, juntamente com seus representantes do PT na esfera estadual e federal, caminhar firmemente com a proposta do PSD, partido de alianças sólidas, tanto no sentido vertical quanto horizontal, abraçando, por lógica política, a figura do Professor Orlando, pré-candidato à prefeito pelo PSD e Elías, pré-candidato a vice-prefeito.