Cantores sertanejos, de piseiro e pagode podem ficar de fora da maior festa popular do Brasil, o São João. Projeto de Lei que tramita na Câmara pode limitar suas participações em festa populares alusivas à cultura do nordeste brasileiro.
A luta dos forrozeiros para preservar as tradições e costumes nordestinos começa a ganhar força. No dia em que o cantor Alcymar Monteiro, defendeu o forró nas festas juninas, a Câmara dos Deputados aprovou o Regime de Urgência na tramitação do projeto que garante que 80% dos recursos públicos para o São João, sejam destinados para toda cadeia produtiva do forró.
Batizada de “Lei Luiz Gonzaga”, a iniciativa prevê que prefeitos (as) e governadores (as) invistam pelo menos 80% da verba dos festejos juninos em contratação de artistas, bandas de forró e manifestações como quadrilhas juninas e demais expressões culturais relacionados ao Nordeste.
Os prefeitos alegam que são pressionados pelo público nas redes sociais e diminuem cada vez mais a presença de forrozeiros nas programações juninas.
Em Campina Grande, que realiza uma das maiores festas juninas do País, um episódio envolvendo o cantor Flávio José provocou indignação nas redes sociais. A produção do evento pediu ao artista que antecipasse o fim do seu show para adiantar a apresentação do sertanejo Gusttavo Lima.
Flávio recebeu o apoio de outros forrozeiros. Dorgival Dantas chamou a atenção do público para a preservação das tradições em show feito no Nordeste.
Em Caruaru, o líder da Banda Fulô de Mandacaru, Armandinho do Acordeon, também fez discurso parecido em defesa do forró e lembrou que o seu grupo venceu um reality show na TV Globo concorrendo com outros ritmos.
Alcymar Monteiro, explicou que a luta dos forrozeiros é para preservar o forró nas festas de São João, garantindo assim, que o ritmo que ganhou o mundo na voz inconfundível de Luiz Gonzaga, predomine.
“Defendemos uma Lei que seja cumprida pelos prefeitos de 80% da trilha sonora do São João, seja feita com artistas que militam na cultura nordestina e que de uma certa forma, tem identificação com o forró
“O Legislativo deu um reconhecimento expressivo à cultura popular e aos seus artistas. Aprovamos a urgência e vamos trabalhar para ampliar os votos quando a matéria for à plenário. Vamos resgatar as tradições das festas, garantindo que não sejam descaracterizadas, como vem ocorrendo em algumas cidades. Mais um passo foi dado e estamos mais perto”, declarou o deputado Fernando Rodolfo.
Um projeto similar do então deputado estadual pela Bahia, Marcelo Nilo, do PDT, chegou a ser votado e sancionado, mas a legislação, que ficou conhecida como “Lei da Zabumba”, nunca chegou a ser cumprida. Prefeitos alegam que são pressionados pelo público por meio das redes sociais e, para evitar o desgaste do capital político, acabam por diminuir cada vez mais a presença de forrozeiros nas programações juninas.