A cidade de Jequié está concorrendo no concurso de melhor festa de São João da Bahia ou do Brasil, cujo prêmio milionário será revertido em obras e ações que beneficiarão exclusivamente o povo de Jequié?
Nada contra uma grande festa junina. Mas, qual deve ser o tamanho dessa festa?
Bem, na minha opinião, do tamanho proporcional à Jequié. Dentro das suas condições econômicas, estruturantes e com grande razoabilidade e sensibilidade diante das demandas básicas de sua população.
Jequié não precisa disputar com nenhuma cidade baiana, quiçá nordestina, como Campina Grande ou Caruaru. Que a festa de São João de Jequié precisa ser realizada, claro que precisa! É a manutenção cultura e das tradições do povo nordestino.
Que ela movimenta a economia com aquecimento no consumo de bens e serviços, claro que aquece!
Que todos ganham temporariamente com renda e ocupação, que mais impostos são recolhidos, que circula mais dinheiro no comércio, claro que ganham!
Sou contra a Festa de São João de Jequié? Claro que não! Sou super a favor.
Sou daquela turma do quanto pior melhor? Nunca!
Quero ver a cidade crescer, fortalecer, emergir e prospectar um futuro melhor para todos, inclusive eu! Moramos aqui. Vivemos do que fazemos.
Mas não temos estudos concretos de quanto essa festa deixa de retorno econômico para o municipio. Eu não falo nem de retorno cultural pois o que chamam a atenção e participção são as grandes atrações nacionais. A grande certeza é que os grandes pagamentos feitos à atrações nacionais não fica um centavo aqui, e deve ser somados aos gastos feitos.
Falando em sensatez e justiça social. É justo gastar milhões e mais milhões em uma festa de apenas 4 dias, enquanto o Piso Nacional do Magistério não é pago integralmente aos professores municipais? Enquanto a saúde básica municipal passa por uma crise nunca vista? Enquanto vários bairros estão há mais de um ano, sujos, esquecidos e maltratados? Enquanto não se paga completamente o auxílio enchente? Enquanto não se construiu uma casa para aqueles pobres que perderam suas humildes casas na enchente de dezembro? Enquanto os artistas jequieenses vivem com o pires na mão, vendo sua arte repousar no túmulo do cinismo e do desleixo? è realmente justo e necessário?
Onde está a razoabilidade nisso? Onde está a sensibilidade de quem foi eleito para cuidar de gente? Nunca se viu tanto derrame de dinheiro público numa festa junina. Essa é a minha simples e humilde opinião, que você, leitor, tem inclusive o direito de discordar completamente.
Mas antes de você discordar, pera aí!!!
Vocês devem tá achando que essas toneladas estão sendo gastos a toa?
Vamos lá. Pensem comigo: o que ocorrerá no ano que vem no campo da política?
Quem subirá no palco com a praça lotada para discursar? O povo de Jequié?
Quem vai recepcionar figurões da política baiana com toda fartura? O povo de Jequié?
Entendi. O povo paga a festa e dança, dança muito.