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segunda-feira, 02 de março de 2026

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PROJETO EM PARCERIA ENTRE O MAB E A FIOCRUZ PESQUISA SAÚDE DOS ATINGIDOS EM JEQUIÉ

A iniciativa quer compreender a situação da saúde das populações atingidas por barragens e pela crise climática, para depois criar uma rede de vigilância popular em saúde

PROJETO EM PARCERIA ENTRE O MAB E A FIOCRUZ PESQUISA SAÚDE DOS ATINGIDOS EM JEQUIÉ
Foto: Marcos Souza / MAB
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Os bairros às margens do Rio de Contas, em Jequié, acolhem a partir de segunda-feira (25) uma comitiva de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O grupo, que permanece no local até a próxima sexta (29), visita diversas famílias da comunidade local para conversar sobre a situação atual da saúde destas populações.

Foto: Marcos Souza / MAB

O projeto, desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde, tem como objetivo formar vigilantes populares em saúde a partir da realidade dos atingidos por barragens e pelas mudanças climáticas. Em Jequié, o foco principal da pesquisa nesta primeira etapa é avaliar as condições de saúde da população a partir dos impactos da Barragem da Pedra, a situação da extrema violência, as recorrentes enchentes e as violações de seus direitos.

Foto: Marcos Souza / MAB

Um dos desafios da pesquisa é ampliar o conceito de saúde da população para além da ausência de doenças. Para analisar se uma pessoa está plenamente saudável é preciso considerar também os fatores sociais, econômicos, culturais e ambientais que influenciam a saúde e o bem-estar de cada indivíduo e das comunidades em geral. Por isso, é preciso entender as condições de vida, trabalho, educação e relações sociais das populações pesquisadas, indo além dos aspectos biológicos e individuais.

Foto: Marcos Souza / MAB

Cleidiane Barreto, membro da Coordenação do MAB na Bahia, explica que a iniciativa é muito necessária para Jequié, porque coloca a saúde e o direito das populações atingidas do município no centro do debate, que normalmente são invisibilizadas por serem vítimas de enchentes provocadas pelas aberturas de comportas.

“É um trabalho que valoriza a experiência das famílias e das comunidades. É o momento de escutar quem vive diariamente com os impactos das mudanças climáticas, das construções de barragens e quem está construindo a luta e novas possibilidades para os atingidos. Essa parceria fortalece a luta por reconhecimento, por reparação e principalmente por dignidade dessas famílias. Estamos muito esperançosos que essa pesquisa ajude inclusive a construir ferramentas para exigir a reparação das famílias que foram atingidas pelas aberturas de comportas da CHESF, para a construção de políticas públicas e também para a construção da organização popular”, explica Cleidiane.

Jequié acolhe nesta semana a terceira visita da equipe às comunidades atingidas. O projeto já passou em Canoas (RS) e Cametá (PA) e ainda vai a São Sebastião (SP) e Fortaleza (CE). Esta primeira etapa consiste em um diagnóstico participativo, com escutas ativas, para mapear os desafios locais de saúde. Em 2026, após as entrevistas, inicia a fase formativa, com oficinas que capacitarão os atingidos como agentes de vigilância popular em saúde, fortalecendo sua autonomia para identificar e agir sobre os riscos à saúde de sua comunidade.

Vigilância popular em saúde

O objetivo do projeto construído entre MAB, Fiocruz e Ministério da Saúde é promover e apoiar ações de vigilância popular em saúde, preparando as populações de cada território para identificar, monitorar, comunicar e registrar quaisquer problemas de saúde na população, especialmente aqueles causados pela construção de barragens ou por eventos climáticos.

O aprofundamento do conceito de vigilância popular é o segundo passo do projeto, previsto para 2026. A pesquisadora Priscila Neves, uma das coordenadoras do projeto, explica a importância desta primeira etapa para a construção mais qualificada da formação destes vigilantes:

“É importante escutar a população, compreender as histórias, sentimentos e percepções, não apenas sobre o que aconteceu, mas sobre o que, para elas, pode ser feito para reduzir os riscos e trazer um pouco de segurança. Isso é essencial para construir uma formação mais adequada à realidade dos territórios. Além disso, também precisamos compreender como os atingidos se organizam dentro da comunidade, onde buscam informação, como a informação é passada entre os membros da comunidade e como é a relação da população com o SUS”.

Programação

Durante os cinco dias de pesquisa no território, a programação prevê visita às famílias em suas residências, na intenção de conhecer a realidade em que vivem e conversar sobre sua saúde, especialmente nos bairros Mandacaru, Quilômetro 3, Joaquim Romão e Curral Novo.

Na tarde de quinta-feira, na Associação de Moradores do Mandacaru, os pesquisadores reúnem os atingidos em grupo e propõem a aplicação do método corpo-território, que visa compreender como as alterações no ambiente em que vivem refletem diretamente em seus corpos.

Serviço

O que: Pesquisa sobre saúde pela Fiocruz e MAB, em parceria com Ministério da Saúde

Onde: Comunidades de Jequié

Quando: De 25 a 29 de agosto

Contato: Marcos Souza - (74) 8805-4142

 

FONTE/CRÉDITOS: TV Jequié
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Publicado por:

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