O testemunho da artista local conhecida como Docinha Weylly Maia, que se apresentou no “Melhor São João do Mundo”, provoca revolta e repulsa a qualquer um que assista ao seu vídeo gravado em forma de grito de socorro. Mesmo em meio ao silêncio sepulcral de parte da imprensa, do legislativo e da justiça de Jequié, cabe perguntar: São João foi mesmo o melhor do Brasil, principalmente para trabalhadores e trabalhadoras da cultura de Jequié?
PARTO E AGENDA DE TRABALHO
Docinha, como é conhecida no meio cultural e artístico de Jequié, relata a sua condição de mulher, mãe solo, que depois de percorrer o calvário para se habilitar no exaustivo e burocrático processo de seleção e escolha promovido pela secretaria de cultura de Jequié, conseguiu seu espaço para apresentação na festa de São João de Jequié, e cumpriu a rigor o seu contrato, mesmo estando parida há 3 dias, fazendo suas pontuais apresentações sempre acompanhada de uma recém-nascida de apenas 3 dias.
Docinha é apenas mais um artista em meio a dezenas de outros desprestigiados, maltratados, desrespeitados, que clama por respeito e nutre na justiça a reparação da perversidade lhe imposta.
É inconcebível, injustificável, injusto e perverso a condição imposta pela prefeitura de Jequié que pagou R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais) à um artista de fora, de renome nacional, que levou essa quantia milionário para fora da economia de Jequié, e aos filhos da terra, as pratas da casa, os artistas locais, aqueles eleitores que votaram e elegeram o atual prefeito, passar pelo vexame e exposição pública de ter que vir às redes sociais implorar para que a prefeitura cumpre apenas com a sua obrigação de pagar aquilo que o municipio contratou, uma quantia infinitamente insignificante em relação ao milhões pagos aos afilhados da festa milionário que serviu para impulsionar também a imagem do gestor local nos meio de comunicação contratados notadamente para este fim, o endeusamento político.
JOGO DE EMPURRA-EMPURRA
Zé Cocá vai ao rádio e apresenta sua versão. O “secretário” de Cultura apresenta outra e empurra para a Controladoria do município, a responsabilidade pelo atraso no pagamento dos minis cachês dos artistas locais que se apresentaram na festa de São João de Jequié.
Em meio a essa falta de respeito e cuidado com o cidadão que desenvolve atividades culturais no município de Jequié, fica a certeza de uma gestão que parece não se importar com o desenvolvimento cultural da cidade.
Do que adianta propagar pelos quatro cantos da Bahia uma festa que a própria gestão considerou a “MELHOR DO BRASIL”, quando na verdade se relega os trabalhadores e trabalhadoras da cultura local a essa condição de humilhação, falta de empatia e desprezo?
Mas, como disse bem Dorgival Dantas: “Destá, há de bater na minha porta."