Vai começar o São João,
e em Jequié é tradição:
cidade Sol se empipoca,
mas não é só por foguetão.
Falo é de luz de led,
de drone e ostentação!
Já posso até imaginar
no céu um zumbido novo,
não é PM de helicóptero,
é Alok com seu estrovo.
Faz DJ de drone voar,
e o povo grita: “De novo!”
No palco, o Embaixador,
com seu repertório quente,
faz teúdas e manteúdas
se espremer no meio da gente.
No camarote ostentação
só dá silicone e dente!
Xand Avião decola alto,
Kevy Jones canta e chora,
o arrocha derrete o asfalto,
Limão com Mel namora.
E na praça da Bandeira
só paixão que se devora.
Mas não digam que é só lixo
nesse forró de ilusão,
tem também o mestre Luiz —
não é o Gonzaga, não!
Esse ainda é vivo e pulsa
o puro suco do baião!
Luiz Caldas é respiro,
um alívio, uma lufada,
no meio de tanto meme
e de piada forçada.
Mas a multidão prefere
a dancinha ensaiada.
E como cereja no bolo,
tem Tirulipa no show.
Nem no nome foi original,
mas o povo aplaudiu, gritou!
Riso fácil, zero crítica,
e a cultura se apagou...
Tem de tudo nessa farofa,
do vovô à influencer novinha,
cada um querendo um flash,
um drink e uma caixinha.
E se der, um camarote
com free pass e pulseirinha.
E as primeiras-damas todas,
numa disputa carnal,
pra ver quem vai dar o close
mais valioso do arraial.
É tanta mulher de prefeito
que parece um pardial!
Jequié, minha morena,
com seu São João de ilusão,
trocaram o trio de zabumba
pelo trio de ostentação.
E a cultura verdadeira
ficou presa no porão.
Por Israel Ferssant