O sonho de todo trabalhador é encontrar uma oportunidade digna de trabalho para exercer a sua profissão, fruto da formação alcançada com muito esmero e esforço pessoal. Uma janela para uma jornada de trabalho reconhecida, valorizada e com seus direitos preservados e cumpridos a rigor. Esse é o sonho.
Entretanto, muito distante desse sonho está a dura realidade da precarização do trabalho, moldada por fatores que comprometem a dignidade e os direitos dos trabalhadores, resultando em condições de trabalho instáveis, com baixa remuneração, ausência de proteção social e laboral, e, muitas vezes, jornadas de trabalho excessivas. É um fenômeno que se manifesta de diversas formas, desde a informalidade do trabalho até a falta de benefícios e a imposição de jornadas extenuantes.
Quando a gestão municipal comemora o crescimento do número de CNPJs no município de Jequié, esconde-se a dura realidade do desemprego que forçou muitos trabalhadores a abrirem seus CNPJs na modalidade Microempreendedor Individual, na esperança de obter seu lugar ao sol.
O vídeo em homenagem ao Dia do Trabalhador, exibido hoje, 01/05, na rede social do prefeito Zé Cocá (PP), parece uma peça publicitária, de conotação econômica, produzida para uma metrópole que explode na geração de emprego e na distribuição de riquezas.
No conteúdo exibido, ficaram para trás os pífios desempenhos das secretarias municipais encarregadas na geração de emprego, secretarias cuja manutenção com suas equipes custa milhões aos bolsos dos trabalhadores. É um verdadeiro vexame econômico comprovado quando analisados diante dos dados divulgados pelo Governo Federal, por meio do CAGED, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, responsável por agrupar e apresentar os dados de desempenho na geração de emprego em todo o Brasil.
Segundo o CAGED, no mês de março desse ano, o saldo na geração de emprego em Jequié foi NEGATIVO, com apontamento para demissão de 39 trabalhadores e ZERO geração de novos postos de trabalho com carteira assinada. Dados preocupante para uma cidade de aproximadamente 160 mil habitantes, que tem apenas 24.209 trabalhadores com carteira assinada, apenas 15,13% estão empregados.
Afora esse vexame econômico, há uma insatisfação generalizada na classe trabalhadora, especialmente dos servidores da saúde municipal, que assistem impotentes a cortes bruscos nos direitos adquiridos, que foram arremessados com desrespeito para o final da fila dos precatórios.
Os profissionais da Educação são outro bloco de trabalhadores que sofrem com a precariedade na infraestrutura das unidades municipais de ensino, diante das péssimas condições de trabalho, agravado pelo descumprimento da Lei que obriga o município a pagar o Piso Nacional do Magistério.
Com todo esse cenário, não se pode esquecer dos Impostos Municipais que passam a corroer a renda do trabalhador que passou a pagar um IPTU até 500% mais caro, além da Taxa de Iluminação Pública, Coleta de Lixo, Zona Azul, sem falar da fábrica de multas de trânsito.
Ao final, resta refletir se realmente existe algo para se comemorar no Dia do Trabalhador ou se será preciso urgentemente engrossar fileiras para juntos, lutar ainda mais contra os desmandos e maus-tratos sofridos pelo trabalhador jequieense.
Encerra-se as comemorações deste Dia com a convocação de luta do imortal Geraldo Vandré.
“… Vem, vamos embora, que esperar não é saber.”
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”