Na sessão de hoje, 5/3, da Câmara de Vereadores de Jequié, o vereador Marcos do Ovo (PV) não poupou palavras ao denunciar o modus operandi do prefeito Zé Cocá (PP). O discurso foi duro, ácido e direto: segundo Marcos, o prefeito enviou uma mensagem em tom de ameaça, afirmando que quem não se curva às suas ordens passa a ser tratado como inimigo político.
A cena é emblemática. Quando um governante transforma divergência em afronta pessoal, a política deixa de ser espaço de debate e se converte em arena de intimidação. Marcos foi categórico: “Eu não fui eleito para ser submisso de prefeito nenhum.” A frase ecoa como um lembrete de que o mandato pertence ao povo, não ao capricho de quem ocupa o Executivo.
O erro de Zé Cocá, apontado pelo vereador, é clássico: confundir liderança com imposição, autoridade com autoritarismo. Governar na base da pressão e da vaidade é rasgar o contrato democrático e reduzir a política a um jogo de obediência cega. É esquecer que o poder é transitório, enquanto a sociedade permanece.
A denúncia expõe um dilema maior: até que ponto os políticos locais estão dispostos a enfrentar o peso das ameaças e manter a retidão diante da população? O episódio mostra que, em Jequié, a oposição não é apenas necessária — é vital. Sem ela, o risco é transformar a cidade em laboratório de um poder personalista, onde discordar vira crime e questionar é tratado como traição.
Em tempos em que a democracia se fragiliza nos detalhes, discursos como o de Marcos do Ovo são mais que desabafo: são resistência. E resistência, nesse caso, é sinônimo de liberdade.