O comércio varejista é o melhor termômetro para análise da economia de Jequié. Salvo as grandes lojas da rede atacadista, como Assaí, Atakarejo e Economart, aliadas à rede de farmácias como a Pague Menos, São Paulo, Drogasil e Indiana, o comércio de Jequié se configura como a ponta da economia que enfrenta todos os tipos de dificuldades, desde a altíssima carga tributária municipal até a cruel concorrência do mercado eletrônico, que, com reduzido custo operacional, ameaça a extinção de vários ramos de atividade, como a de eletrônicos, peças, vestuário, medicamento, bebidas e alimentos e outros mais.
Aliado a esse cenário desanimador, mas verdadeiro, estão os altos preços dos aluguéis cobrados em imóveis comerciais em Jequié, onde um estabelecimento comercial do ramo de eletrodomésticos, na praça Rui Barbosa, chega a pagar R$ 26.500,00 por mês.
Afora aqueles de natureza pessoal, esses são os maiores desafios que o comerciante de Jequié tem que enfrentar para alavancar seus negócios num ambiente oneroso e com pouco incentivo das instituições financeiras.
No campo da indústria, o socorro vem das empresas de transformação do trigo e da fabricação de calçados, responsáveis pela grande parcela dos empregados com carteira assinada, que totalizam apenas 16% da população de Jequié, não mais que 24.267 empregados, para uma cidade de 168 mil habitantes. Esses números não são desanimadores.
Sem dúvida, a prefeitura, detentora de um orçamento anual de quase R$ 1 bilhão, é a maior empresa do município, que emprega, gera demanda de consumo em vários setores da economia, principalmente a da construção civil, mas concentra suas compras em muitas empresas de fora do município, em atendimento à Lei de Compras Públicas, com os pregões eletrônicos.
No mês de abril, os números divulgados pela CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, referentes à geração de empregos em Jequié, apontam um resultado pífio para uma economia que se diz sólida, pujante e regionalizada. A prova disso foi a demissão de 91 empregados na indústria, que puxou para baixo a escala de geração de emprego, com saldo de apenas 41 empregos gerados no mês de abril, frente a uma demanda reprimida incalculável.
É preciso reunir a classe produtiva e política do município de Jequié e altercar, de forma séria e efetiva, com todo o tecido social, incluindo os conselhos, associações, sindicatos, clubes de serviços, representações comerciais, industriais e classe trabalhadora, quais os caminhos para a aplicação correta dos recursos públicos que possa garantir o desenvolvimento econômico de Jequié, fortalecendo os setores econômicos do município, como a indústria, o comércio, a agropecuária e os serviços, e como consequência, gerar capacitação, inclusão no mercado de trabalho e melhoria da qualidade de vida para a população. Não adianta propagar no mercado político a safra que não se tem no campo.