A previsão de tempo bom com dinheiro em caixa parece estar mudando para a prefeitura de Jequié. Uma frente fria vindo das dificuldades na arrecadação municipal, acompanhada da extinção das emendas parlamentares, já começam a dar sinais de estiagem e fim da fartura.
Merecem atenção os relatórios contábeis enviados pela prefeitura de Jequié ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, e revelados pelo Sistema SIGA, uma plataforma do TCM/BA que coleta, organiza e analisa dados e informações dos municípios baianos para otimizar o controle externo e a fiscalização das contas públicas.
No que tangem ao montante liquidado e não pago pela prefeitura de Jequié, o acumulado atinge R$ 22.091.692,18 (vinte e dois milhões, noventa e um mil, seiscentos e noventa e dois reais e dezoito centavos). Liquidado e não pago é a última fase antes do pagamento, quando o fornecedor já entregou o produto/serviço, emitiu NF-e e está apto a receber o pagamento.
Quando se trata de Saldo de Restos que não foram pagos, de anos anteriores, o valor é ainda maior e atinge a cifra de R$ 29.446.394,40 (vinte e nove milhões, quatrocentos e quarenta e seis mil, trezentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos).
Após cinco anos de gestão, os números revelam que a Prefeitura de Jequié enfrenta um desequilíbrio fiscal que não pode mais ser atribuído a administrações anteriores. A alta dos valores liquidados e não pagos, somada aos restos a pagar acumulados, aponta para falhas de planejamento e dependência excessiva de recursos externos, como emendas parlamentares. Em tempos de escassez, é dever da gestão pública garantir previsibilidade, transparência e responsabilidade com o dinheiro do contribuinte. O alerta amarelo aceso pelas contas públicas exige respostas concretas — antes que a crise se torne estrutural.
Diante desse cenário, resta ao prefeito Zé Cocá rezar para São Pedro, ou melhor, para São Jerônimo Rodrigues, para fazer chover no caixa da prefeitura e voltar o tempo de fartura das emendas do deputado Leur Lomanto.
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