O transporte público em Jequié se tornou um cenário muito caótico. Porém, não parece incomodar aqueles que são responsáveis por fiscalizar e acompanhar a qualidade dos serviços públicos que são prestados pela Prefeitura às comunidades de Jequié, principalmente aquelas formadas por trabalhadores de baixa renda.
Todos os dias são iguais. Problemas mecânicos, passageiros no sol de 40 graus em pontos sem assentos e coberturas, com poucos horários disponíveis, frota reduzida, rota que se altera a cada momento e operação amadora via grupos de WhatsApp. Isso mesmo. É no WhatsApp que a Sumtran – Superintendência Municipal de Trânsito, responsável pelo transporte público de uma cidade de mais de 160 mil habitantes, informa aos passageiros problemas mecânicos, alteração de rota e tantos outros desconfortos.
Diante desse desmantelo todo, uma situação vem chamando a atenção da imprensa: o tratamento dispensado aos moradores do Conjunto Habitacional Parque do Sol, uma comunidade com mais de 600 famílias, formada em sua maioria por trabalhadores que necessitam do transporte público para chegar até seus postos no horário determinado pelas empresas.
Ocorre que muitos problemas relacionados à qualidade do serviço prestado estão sendo relatados pelos moradores, principalmente no quesito horário e regularidade de ônibus que atende os passageiros. Não está sendo surpresa para os passageiros a informação dada pela Sumtran via WhatsApp, informando que, por problema mecânico, eles devem se deslocar para outro ponto distante, pois o ônibus não irá até o local oficial de embarque e desembarque de passageiros.
Os moradores do Parque do Sol dizem estar desconfiados diante do tratamento que vem sendo dispensado pela prefeitura à comunidade local. Isso ocorre não só no transporte público, como também nas obras que foram iniciadas antes da eleição para a escolha da presidência da associação do habitacional.
“Depois da eleição da associação, isso tudo começou a aparecer. Secretário teve aqui fazendo vídeo apoiando a chapa que perdeu; até o prefeito fez vídeo. Depois que o candidato da prefeitura perdeu a eleição, as obras pararam, o ônibus piorou, toda hora é um problema para a gente. Como é que isso não é perseguição ou pirraça? Eu acho que é perseguição sim. O prefeito não deve gostar de pobre, por isso faz isso com a gente”, desabafou contrariado um morador do bairro, que preferiu não se identificar com receio de retaliações da prefeitura.