Vendedores que obtiveram recentemente a autorização da prefeitura de Jequié para ocupar os boxes do Camelódromo localizado na Praça da Bandeira expressam sua insatisfação com a insegurança do espaço, onde já ocorreram arrombamentos e roubos de produtos.
Além do calor intenso causado pela ausência de ventilação, outra queixa é sobre o espaço de vendas que é extremamente restrito, e as portas dos boxes foram entregues aos comerciantes com defeitos antes mesmo da inauguração do local. A fragilidade das portas, que possuem apenas uma mola, ocasiona um desnível ao abrir ou fechar. A evidência do arrombamento reforça essa falha estrutural do empreendimento. Os comerciantes estão cobrindo os gastos com os reparos, contratando profissionais de serralheria para consertar os problemas.
SEM VENDAS, SEM LUCROS, SÓ DESPESAS
Durante uma conversa com uma comerciante de eletrônicos, ela compartilhou que, desde outubro de 2024 até agora, suas vendas totalizaram apenas R$ 300,00. Ela comentou que, se a situação persistir, terá que devolver o box à prefeitura. Segundo ela, a locação no Camelódromo não foi planejada de forma adequada, pois está voltada para uma rua menos movimentada, resultando em um baixo fluxo de clientes. Isso contrasta com seu antigo ponto, que ficava no Centro de Abastecimento de Jequié, onde mais de 30 mil clientes passam semanalmente.
CELEBRAÇÃO PARA A ADMINISTRAÇÃO
No começo deste mês, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), inaugurou com muita pompa, o que disse ser o maior projeto já realizado na cidade voltado para o comércio ambulante. O investimento teve contrato com a empresa Threeng Manutenção e Serviços Eireli, no valor de R$ 1.696.659,33, sem acréscimos contratuais, uma obra que começou em julho de 2022, com entrega programada para dezembro de 2023, mas só teve a entrega finalizada em fevereiro de 2024.
Financiado com recursos da comunidade, o empreendimento enfrentou fortes críticas de artistas e defensores do patrimônio público por infringir a Lei de Proteção Cultural do Mercado Municipal, uma área onde a construção não é permitida legalmente.