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Domingo, 19 de Abril 2026

Notícias/Editorial

A FESTA VAI ACABAR. E DEPOIS DA FESTA?

Uma reflexão sobre o cenários pós-festa diante da dura realidade do município

A FESTA VAI ACABAR. E DEPOIS DA FESTA?
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Jequié será, neste mês, palco de uma das maiores festas juninas da Bahia. A mídia local, sob influência direta do discurso institucional da prefeitura, anuncia com entusiasmo a presença de grandes atrações nacionais: Gusttavo Lima, Alok, Wesley Safadão, entre outros. De fato, é um evento de porte, que movimenta a cidade por alguns dias. Mas passada a última sanfona, quando as luzes se apagam e o pó do arraial assenta, é preciso perguntar: o que realmente ficou?

Durante o São João, hotéis ficam lotados, casas são alugadas por valores altos, ambulantes circulam em grande número. Mas do que vive Jequié no resto do ano? Onde estão os concursos públicos que não acontecem há anos? Onde estão os empregos permanentes, os incentivos à economia local, as políticas de desenvolvimento que realmente estruturam o futuro?

A cidade vive uma contradição profunda. De um lado, temos uma gestão que movimenta cifras milionárias com licitações e contratações para eventos e obras. De outro, temos uma população que se vê asfixiada por uma carga tributária crescente: IPTU reajustado, taxa de iluminação pública, alvarás com aumentos exorbitantes, e o empobrecimento gradual do jequieense. O comércio local sente o impacto: cada vez mais pressionado por tributos, cada vez mais ameaçado pela concorrência digital. E, enquanto isso, a dívida pública municipal salta de R$ 54 milhões para mais de R$ 405 milhões. Que futuro essa matemática nos reserva?

Se é o São João que fará Jequié ser reconhecida nacionalmente e impulsionará sua economia, que ele seja, então, uma ferramenta de prosperidade para todos, e não apenas um espetáculo para poucos, principalmente para os que ficam de camarote. Por que não investir na capacitação de artesãos locais e confiar a eles a ornamentação da cidade, fazendo com que esses recursos fiquem, de fato, aqui? Por que não reservar a Praça Rui Barbosa para um palco alternativo só com artistas da terra, dando aos que mais se destacarem a oportunidade de abrir o palco principal na Praça da Bandeira?

Isso não é apenas política cultural. É valorização da identidade local, é inclusão produtiva, é fortalecimento de quem sustenta a cidade o ano inteiro.

O mesmo vale para a comunicação: influenciadores e jornalistas locais não podem ser vistos como meros coadjuvantes, mal remunerados por sua atuação. Eles são profissionais e merecem tratamento como tal, com reconhecimento e cachês dignos. Comunicação é estratégia, não esmola.

O povo de Jequié é pacífico, sim, mas não é ingênuo. Ainda que o silêncio predomine, ele observa, analisa e compreende o peso de cada escolha feita em seu nome. A festa pode encantar, mas o reflexo no cotidiano fala mais alto.

Ainda assim, enquanto houver vida, haverá esperança. E enquanto houver esperança, permanece a possibilidade de construir uma Jequié mais justa, transparente e verdadeiramente comprometida com o bem comum.

FONTE/CRÉDITOS: TV Jequié
Israel Ferssant

Publicado por:

Israel Ferssant

Israel Ferssant é Teólogo, Cineasta, Jornalista, com MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Pós-graduando em Serviço Social, às vezes poeta, músico, educador.

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