Saco vazio não fica de pé. Foram com essas palavras que crescemos ouvindo a avó motivar seus netos a se alimentar na infância. E até hoje o ditado é muito usado. Uma alimentação saudável ajuda a proteger contra a má nutrição em todas as suas formas, bem como contra as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), entre elas diabetes, doenças cardiovasculares, AVC e câncer. A alimentação não saudável e a falta de atividade física são os principais riscos globais para a saúde.
O Café da Manhã nas escolas municipais de Jequié, foi implantado sem o contexto ou interesse de marketing político, mas sim pela real necessidade de alimentação concreta e necessária para os alunos do sistema público.
As dificuldades alimentares que atinge os alunos carentes, de comunidades menos favorecidas é uma realidade quase que intangível aos olhos da gestão pública. A carência alimentar é tamanha que o Governo Federal e Estadual instituíram o combate a fome como metas prioritárias de governo.
Em Jequié a situação é inversa. Fechando os olhos para essa necessidade clara e urgente de contribuir para a boa alimentação de todos os alunos, o prefeito Zé Cocá (PP), cortou, na raiz, o café da manhã para os alunos do Sistema de Educação Municipal.
Que tal o prefeito e sua equipe acordar bem cedinho e acompanhar a rotina de um aluno, especialmente da zona rural, que acorda as 4h da madrugada, caminha até o ponto de ônibus, chega à escola às 7h, só merenda as 9h (geralmente bolacha com suco) e chega em casa as 14h?
Será mesmo que é possível coletar com precisão todas as informações repassadas em sala de aula, nos cinco horários de aula prática, com o estômago roncando de fome? Sabe-se lá como foi a alimentação daquele aluno no dia anterior. Será que chegou à escola com energia necessária para aprender?
De nada adianta os requintados quadros de retroprojeção em salas de aula, os sanitários revestidos em porcelanato, os jardins verdejantes e floridos, o clima aconchegante do ar condicionado, se a barriga está vazia e a fome escurece a visão, ocultando toda beleza estruturante da escola pública. Não adianta as piscinas de padrão olímpico se a desnutrição impede as braçadas. Não adianta uma mochila escolar nova, espaçosa, com apenas alguns livros e se falta a energia essencial do alimento indispensável para ler e compreender o que está nos livros.
Não se viu ainda uma simples frase de defesa dos vereadores pedindo o retorno do Café da Manhã para os alunos das escolas públicas de Jequié, salvo uma voz aqui, outra acolá, isolada, solitária, daqueles que se sensibiliza com a situação.
O retorno do café da manhã nas escolas municipais não é um capricho do prefeito Zé Cocá, é o respeito aos alunos, aos professores, aos pais, a sociedade, as autoridades e acima de tudo, o respeito à vida.