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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026

Bahia/Opinião

NO LUGAR DA COMPETÊNCIA, UM PARENTE MEU

Tem sido isso mesmo que assistimos em todas esferas de governo. Emprego pouco, meu parente primeiro.

NO LUGAR DA COMPETÊNCIA, UM PARENTE MEU
Editoria de Arte/TV Jequié
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Ah, o velho jogo de cartas marcadas da política brasileira. Não importa a cidade, o estado ou a esfera de governo, a peça se repete como uma tragédia anunciada, só que sem catarse. O roteiro é simples: o político A se elege com o apoio do político B da cidade vizinha. O que acontece depois? Troca-se um cargo aqui, ajeita-se uma vaguinha acolá, e pronto! O contribuinte paga a conta desse verdadeiro baile de máscaras que só engana quem quer ser enganado.

Quando a negociata acontece nos bastidores, já é um soco no estômago da moralidade. Mas quando esse tipo de prática se institucionaliza, virando regra do jogo, é um tapa na cara dos eleitores, que assistem a esse teatro enquanto tentam pagar boletos e sobreviver ao caos do país. E o mais nojento? Eles nem tentam disfarçar. Empregam filhos, sobrinhos, primos, esposas, amantes, o cachorro e, se possível, até o periquito. Tudo com dinheiro público, claro. Afinal, governar virou uma extensão da árvore genealógica.

O nome técnico desse escárnio é nepotismo, e, pasme, é proibido. A Constituição Federal de 1988 já previa o princípio da impessoalidade (art. 37), que deveria impedir que cargos públicos fossem loteados como se fossem parte de um espólio de herança. Mas como o brasileiro é criativo, o Supremo Tribunal Federal teve que desenhar, criando a Súmula Vinculante nº 13, que proíbe expressamente a nomeação de parentes para cargos comissionados. Um avanço? Talvez, mas os ratos sempre encontram um novo buraco. Se não podem nomear o filho, nomeiam o filho do amigo, que retribui a gentileza em outra cidade. Assim, driblam a lei na maior cara dura. E a fiscalização? Bem, essa geralmente faz vista grossa, porque todo mundo tem um rabo preso em algum canto.

E não para por aí. Quando não são os parentes, são os cabos eleitorais transformados em servidores de repartições públicas. O critério? O mais fiel, o que mais carregou bandeira, o que mais mentiu na campanha. O que se vê é a administração pública inchada de incompetentes, lotada de gente que sequer sabe o que faz ali, e nem precisa saber. O salário pinga todo mês, o café está sempre quentinho, e o expediente, se existir, é mera formalidade.

O resultado? Serviços públicos sucateados, corrupção institucionalizada e uma população que, entre indignação e resignação, se acostumou a viver sob o domínio dos coronéis modernos, que agora não vestem mais chapéus de couro, mas ternos mal cortados e discursos vazios. E eles ainda se dão o luxo de posar de moralistas, falando em transparência, ética e compromisso com o povo – enquanto distribuem os cargos como se fossem pedaços de bolo de aniversário.

A pergunta que não quer calar: até quando? Até quando vamos assistir a esse circo sem reação? Até quando a máquina pública será trampolim de enriquecimento ilícito e manutenção de poder? Até quando vamos engolir esse teatro, fingindo que não entendemos que o jogo é sujo, mas poderia ser diferente?

O que deveria ser a exceção virou a regra. E o que deveria ser a regra, competência, meritocracia, respeito ao dinheiro público, virou piada de mau gosto. Porque, no fim das contas, eles tripudiam da nossa cara, enquanto gozam de seus privilégios, rindo da nossa ingenuidade. E nós? Seguimos pagando a conta dessa farra, esperando, quem sabe um dia, que o Brasil leve a sério a própria Constituição

FONTE/CRÉDITOS: TV Jequié
Comentários:
Israel Ferssant

Publicado por:

Israel Ferssant

Israel Ferssant é Teólogo, Cineasta, Jornalista, com MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Pós-graduando em Serviço Social, às vezes poeta, músico, educador.

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