A recuperação da Praça Zuleide Angélica Ávila dos Santos, no povoado da Barragem da Pedra, sem dúvidas é um benefício para a comunidade no que diz respeito ao lazer e convivência social.
Como toda pequena comunidade, no povoado da Ruinha, os problemas vão além dos aspectos recreativos, e avançam, ferozmente, em aspectos ligados a saúde pública. Sem abastecimento de água potável e sem coleta e tratamento de esgoto, a comunidade soma-se à dados impressionantes sobre saneamento básico no Brasil. 43% da população vive sem rede de tratamento de esgoto e 14% sem água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Entretanto, ainda restam 35 milhões de pessoas sem este serviço no país.
A comunidade da Ruinha foi formada durante a construção da Barragem de Pedra, nos anos 60, principalmente por operários vindos de várias partes do país e, aos poucos, formando o pequeno povoado que até hoje, convive com o problema de saneamento, sendo servida por carro pipa.
No quesito coleta e tratamento de esgoto a situação é ainda mais complicada. Todos os dejetos produzidos pelos moradores são lançados, in natura, no leito do Rio das Contas, que serve também como manancial que atende a população, além de ser fonte de renda através da pesca tradicional, que inclusive, serve de alimento para a população local e parte dela é também comercializada na feira livre de Jequié.
Enquanto o Plano de Expansão da Embasa não chega até a comunidade da Ruinha, bem que a prefeitura poderia fazer a sua parte com a implantação de um projeto já existente no município de Jequié, que são as fossas de evapotranspiração.

Segundo estudo da Fiocruz, a fossa de evapotranspiração consiste em canalizar toda água de esgoto para uma caixa construída em cimento e bloco, com um duto interno feito com pneus velhos, onde o esgoto é acumulado e transpira através das plantas cultivadas em seu tampo. Ecológica, de baixo custo e que pode ser construída pelo próprio morador com suporte técnico da secretaria de educação, que já aplicou o projeto, de forma exitosa, na comunidade de Florestal.
Com essa intervenção da Prefeitura de Jequié, certamente os casos mais básicos de saúde pública como contaminação por verminose, seria evitada, mesmo tendo a maior incidência nos casos de Teníase e Cisticercose, nessa comunidade, e que são se notificação compulsória, o que perde o referencial de controle e prevenção das ações na saúde básica.
A praça é bem-vinda. Mas a saúde da população é eleita como prioridade nas metas do Ministério da Saúde, por meio do SUS, e os repasses federal e estadual são exatamente para contemplar as políticas públicas da melhoria da qualidade de vida da população.
Menos praça e mais saúde. A população agradece.