Consagrada pelo Anuário da Violência como a cidade mais violenta da Bahia e a 2ª do Brasil em homicídios dolosos, Jequié é determinada a colecionar títulos, e possivelmente ganhará também o Prêmio de Cidade com a Maior Carga Tributária da Bahia.
Além dos cenários da violência urbana e arrocho fiscal, Jequié parece estar caminhando para receber mais um prêmio: o de cidade menos arborizada, o que é lamentável para uma cidade de clima quente com temperaturas que passam de 40º centígrados nos dias quentes de verão.
De fato, o meio ambiente não tem vez em Jequié. Basta olhar para as condições de conservação do Rio das Contas e do Rio Jequiezinho, trecho que corta a cidade de Jequié, para constatar a tamanha degradação e maltrato. Aliado a isso, árvores são derrubadas para dar espaço ao comércio e exploração de vagas de estacionamento em Jequié.
Às margens do Rio Jequiezinho, outrora (2019) considerado pelo Ministério Público da Bahia como APP – Área de Preservação Permanente, a prefeitura de Jequié, com o consentimento da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, devastou a área e edificou um estacionamento comercial para explorar a venda através do sistema de estacionamento rotativo, denominado zona azul.
Visando ampliar a arrecadação municipal, a prefeitura está agora construindo a parte 2 do estacionamento às margens do Rio Jequiezinho, local onde funcionava de forma desumana a Feira da Troca, que após desocupação, árvores nativas que geravam sombra e abrigo para pássaros e outros animais, foram cortadas pela raiz, abrindo espaço para a fome de coleta na arrecadação de impostos.
Sem ir longe, basta chegar à estação do verão, e os dias quentes mostrarão a quem procura sombra e descanso que as árvores que estavam ali foram desumanamente extirpadas em nome da usura, substituindo o ar fresco por ondas de calor que parecem vir do mundo inferior.
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